quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Rádio Record: Apenas o segundo capítulo ou o desfecho para uma triste radionovela?

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Rádio Record SP
 
Para quem gosta de rádios ou quem trabalha neste tipo de veículo, os últimos dias não foram de boas notícias. Como pode lembrar, aconteceu uma reviravolta dentro da histórica Rádio Record cujas proporções estavam longe de ser agradáveis, com a demissão de todos os chamados profissionais do microfone em função de uma reestruturação que "visava atender as expectativas do AM brasileiro". Junto com estes rumores vieram também as suspeitas de que a nova programação, composta por música e boletins jornalísticos privilegiaria programas religiosos.
 
Bom, de acordo com informações do site Comunique-se, os temores se concretizaram.
 

Após demissões em massa, Rádio Record dará espaço para programas religiosos
Anderson Scardoelli

Depois de demitir cerca de 90% de seus funcionários na última sexta-feira (5/8) e deixar a programação apenas com músicas, sem a presença de locutores, a Rádio Record de São Paulo sofrerá outra mudança em breve. De acordo com a apuração do Comunique-se, o que já foi cogitado por blogs e sites, a frequência da emissora (1000 AM) dará espaço para atrações 100% religiosas, mantidas pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).
Fundada há 80 anos a Rádio Record tinha na sua equipe de comunicadores profissionais que tiveram passagens por outras emissoras do dial e até mesmo por canais televisivos. Com a mudança da programação, foram demitidos, entre outros, os jornalistas Leão Lobo, Juarez Soares, Paulo Roberto Martins e Gil Gomes e os apresentadores Paulo Barboza, João Ferreira e Kaká Siqueira.
Outro que não permaneceu na emissora com as mudanças, o coordenador de jornalismo Anderson França criticou a decisão de fazer da Rádio Record um espaço de cunho religioso. “Estão chacinando 80 anos de história de uma rádio importantíssima para o estado de São Paulo”, recriminou o jornalista.

O cenário está longe de ser dos melhores e não se trata somente da Rádio Record, mas também de outras emissoras. No dia 9 de agosto, o colunista Flávio Ricco escreveu um texto muito interessante sobre o assunto, intitulado Demissão na Record escancara situação difícil nas rádios brasileiras onde expôs um panorama nada animador.

 

[…]Não se trata de um discurso corporativista, mas uma triste constatação: hoje, para trabalhar em rádio, é preciso ser padre ou pastor. Radialista ou jornalista não serve mais. Problemas de recepção à parte, os investimentos comerciais diminuíram na mesma ordem em que as programações vieram a ser ocupadas por pessoas das mais diferentes crenças e religiões.
Na AM, dos prefixos conhecidos da capital de São Paulo, sobraram apenas a Jovem Pan, Bandeirantes, Globo, CBN e outras poucas. O FM, lamentavelmente, se percebe, não vai para caminho diferente. (continue lendo)

 

Observações religiosas à parte, é triste ver o que está acontecendo. Não se trata de uma simples emissora de rádio, mas sim de uma das mais conhecidas e tradicionais neste ramo, uma das referências do AM, fosse para um fã ou um ouvinte ocasional. Triste de verdade para qualquer um, especialmente para os ouvintes, que de uma programação diversificada passem a ser tratados com o que soa como desprezo, em função do que julgam ser expectativas de mercado.

 

Triste sim, mas talvez não seja o desfecho. Será que vale a pena torcer?

 

Em tempo: Na última segunda feira (8/08) Flávio Ricco publicou em sua coluna que há rumores de que a FM Record seja transformada em uma emissora de notícias aos moldes da CBN, portanto, de acordo com os comentários, os atuais contratados da Record News, inclusive Heródoto Barbeiro, podem ser aproveitados neste projeto.

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1 Comentário:

Sybylla disse...

Sempre fui fã de rádio. Ouço muito, mais do que vejo televisão. Não escuto AM, fico pela FM sempre entre três estações - 97Fm, BandNews e Kiss - mas lembro que me senti muito desnorteada quando a 89, a Rádio Rock mudou radicalmente de segmento e deixou fãs abandonados pelo caminho.

Imagino como os ouvintes da rádio Record não se sintam agora, com essa mudança. E também o quadro de funcionários, que foi mandado embora. O rádio é um dos espaços mais democráticos que existe, não dava para haver coexistência de temáticas?

Abraço!

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