O peso das palavras e a hipocrisia dos oradores
Sabe, ultimamente tenho tido um certo nojo com algumas palavras que parecem ter voltado a moda nos últimos tempos. Ok, talvez nojo não seja a palavra certa, não ao pé da letra. Creio que soe mais adequado em dizer certa implicância, quase uma vontade irresistível de trollar seu significado.
Mas pobre coitada, a culpa não é da palavra ou da expressão. A culpa é de quem a usa e de suas verdadeiras intenções. Somos nós que fazemos mau uso delas por mais que soem antiquadas para nossa geração para o qual um ano é uma eternidade.

Imagem: ftelkov / Photoxpress
No meu caso, as palavras são: “bons costumes” e moralidade, ou “a moral e os bons costumes” caso assim lhe pareça mais familiar. Soa estranho dizer isso, não é mesmo? Nem devo dizer que minhas razões sejam a sua antiguidade – afinal nada como ver trechos de uma novela no YouTube para reviver certas épocas – mas sim por seu mau uso. Ainda ouço e leio muito essas palavras em contextos que me provocam risadas ou o simples e puro asco seja para falar sobre programas de TV que deseducam ou da sexualidade alheia expostas de maneira contrária sob argumentos estúpidos. Nesse último tema então, não a respeito de uma simples discordância, mas de uma total negação até mesmo de sua existência, de modo a expor e impor verdades que só existem em sua própria mente.
É nesse mesmo âmbito que usamos a palavra “família”. Não para designar a sua essência ou seu real significado, mas sim para exemplificar a tal da moralidade, como uma instituição que só se forma de uma único jeito, ignorando que famílias significam essencialmente uniões por amor.
É bem como disseram no Twitter mesmo, em uma frase de favoritei para a vida. Que me desculpem por ter exposto algo a ser considerado uma “palavra feia”. Meus pais me ensinaram a ser educada mas acho que já passei da idade de ter de ser uma mocinha. E sim, essa palavra em questão deveria ser feia mas assim como as más palavras travestidas em boas, esta também tem um contexto.
A hipocrisia definitivamente não é da palavra, mas sim das pessoas que a pronunciam, mesmo que tais palavras já tenham um certo peso histórico. É essa hipocrisia que nos faz alegar a liberdade de expressão para falar mal de algo mas negamos o benefício se ele serve para nos contrariar. É ela que nos faz ignorar aquilo que está ao nosso lado em prol de ideologias e ignorando direitos elementares.
Essa mesma hipocrisia faz com que o fundo do poço nunca chegue. Sempre que julgamos já ter visto de tudo, sempre acontece uma surpresa. A verdade é que ainda nem chegamos no porão: ainda temos muito chão pela frente.
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2 comentários:
Alessandro e suas frases de efeito! Concordo plenamente com ele e adorei seu texto. Bons costumes tinha que ser sinônimo de respeito pelas diferenças e pelo convívio social civilizado.
Inquietante é como eu definiria o sentimento que me toma quanto reflito sobre essas questões, principalmente quando o assunto é hipocrisia.
Me inquieta porque eu reconheço hipocrisia em quase todos os aspectos da sociedade atual, "até mesmo" em mim.
Vivo em uma luta constante para "fazer o que digo".
Parece que, hoje em dia, as palavras são utilizadas como justificativas para a ausência de atitude, quando na verdade deveriam funcionar como base para reforçar uma ação ou um modo de pensar.
Concordo plenamente com a opinião relatada no texto.
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