domingo, 12 de junho de 2011

Custe o que custar: literalmente

|

cqc1

Nos últimos meses bem que o CQC está evidenciando bastante a razão de seu nome. Isso a ponto de muitos citarem que virou moda falar mal do programa ou de seus apresentadores. É, devo dizer que sim, provavelmente este seja o caso e na verdade é que motivos não faltam: eles não param de gerar novas razões e a mais recente delas é a pior possível.

 

Estou falando da entrevista de Rafinha Bastos para a revista Rolling Stone de maio deste ano na qual o apresentador e pretenso comediante disparou mais uma de suas pérolas:

"Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho." O humorista Rafinha Bastos está no palco de seu clube de comédia, na região central de São Paulo. É sábado e passa um pouco das 20h. Os 300 lugares não estão todos ocupados, mas a casa parece cheia. Ele continua o discurso, finalizando uma apresentação de 15 minutos. "Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade." Até ali, o público já tinha gargalhado e aplaudido trechos que falavam sobre como cumprimentar gente que não tem os braços, o que dizer para uma mulher virgem com câncer, e por que, depois que teve um filho, Rafinha passou a defender o aborto. Mas parece que agora a mágica se desfez. O gaúcho de 34 anos, 2 metros de altura, astro da TV, não está emplacando sua anedota sobre estupro. Os risos começam a sair tímidos e os garçons passam a ser chamados para servir mais bebida. Rafinha aparenta não se dar conta de que algo ruim está acontecendo. Em vez de aliviar, ele continua no tema. "Homem que fez isso [estupro] não merece cadeia, merece um abraço." Em vez de rir, uma mulher cochicha para alguém ao lado: "Que horror".

 

Eu gostaria de saber desde quando o estupro é uma piada, mas ok. Muitos já falaram sobre isso. Aliás, a agenda dos assuntos femininos tem sido bastante discutida em função deste programa. Aliás, muitos temas viraram pauta diante de sua exibição seja para o bem ou para o mal sob a formato que se convencionou chamar de “jornalismo justiceiro” ou sob a palavra em forma de piada – ou algo parecido com isso – de seus apresentadores. Entendo que se queira protestar contra o tal do politicamente correto, como costuma ser a alegação depois de notarem o circo armado, porém aquilo que julgam ser uma tirada sensacional passa muito longe de ser considerado algo que se enquadre nesta categoria, ou em qualquer outra. 

 

Se isso é um jogo para conquistar audiência e fazer render sinceramente não sei, porém por mais que eu e vários outros não assistam o programa, suas palavras e posturas podem e tem de ser discutidas. Sejam coisas faladas no ar, bastidores ou trabalho isolados longe das câmeras da emissora, tudo isso faz parte do CQC: as denúncias de corrupção, o ímpeto justiceiro, as piadas sem graça, as discussões referentes a misoginia e o argumento da liberdade de expressão usado somente quando é conveniente. Tudo isso para o bem ou para o mal.

 

Se falar mal do CQC é moda ou parte da agenda de muita gente por assuntos gerais ou simplesmente por uma espécie de ativismo hater, não sei dizer, mas seja lá qual for a resposta, que ninguém seja pego desprevenido. Um programa que tem o nome de Custe o que Custar certamente fará sua reputação valer, como uma obrigação ou uma questão de honra.

RSS/Feed: Receba automaticamente todas os artigos deste blog.
Clique aqui para assinar nosso feed. O serviço é totalmente gratuito.

4 comentários:

Sybylla disse...

Acho curioso o Marcelo Tas pregar tanto pela liberdade de expressão e achar ruim quando falam dele ou do programa.

Custe que Custar mas a que custo? De fazer piadas com temas que não têm tom humorístico? De deixar pessoas constrangidas com o modo de fazer piada, achando que só porque é humor é autorizado?

Infelizmente, o humor sempre se baseia em denegrir determinados grupos: portugueses, loiras, e etc, e aqueles que se dizem humoristas acham que qualquer grupo pode ser usado para isso, como mulheres estupradas, domésticas (o mais recente comentário) e mulheres que amamentam. Certos aspectos não podem ser zoados dessa maneira.

O que elas estao lendo!? disse...

Ele é de muito mal gosto, melhor dizendo falta sensibilidade e amadurecimento.

Gostei dos posts por aqui.

Abracos

Tarzan ® disse...

Sybylla, vc já deu a resposta.
Custe o custar custe o que custar. Traduzindo, a qualquer custo.

E todo tema pode ser humorístico sim. Se as pessoas não acharam graça, a culpa não é do tema. Ou é da própria piada ou do humorista. Nunca do tema.

Neste caso especifico, a culpa é tanto da piada quando do humorista. O tema, seja ele qual for, é sempre inocente. Seja falando de loira, falando de estupro ou até do holocausto.

Agora, tirando "loira", os outros a pessoa tem que ter culhão pra usar como piada. Ou ser maluco mesmo como parece ser esse tal de Rafinha Bastos.

Emanuelle, parabéns pelo blog!

Carlos R. disse...

Não estou defendendo a piada de extremo mau gosto do Rafinha Bastos, mas o que ele faz fora dos bastidores não está ligado ao CQC.
Já em relação a piada, não é novidade para ninguém que o humor, de forma geral, utiliza o que chamamos hoje de ''minorias'' para fazer graça. Claro, existe uma linha tênue entre humor e desrespeito. Mesmo não sendo fã de generalizações, o povo brasileiro adora esse tipo de humor, e a fama destes humoristas só comprovam tal fato.

Postar um comentário

Sua opinião é muito importante, comente!

Online

Contador

contador de acesso

Onde estou

  ©Limão em Limonada | Licença Creative Commons 3.0 | Template exclusivo Dicas Blogger