Roberto Requião: o novo paladino na cruzada contra o bullying
Quando acompanhei as notícias dos últimos dias tive uma surpresa que no fim me renderam boas risadas. Alguns podem encarar como algo trágico, mas não resisti. Foi mais forte do que eu.
Li sobre o caso do senador Roberto Requião (PMDB-PR) que ficou irritado com uma pergunta incômoda de um repórter da Rádio Bandeirantes e arrancou o gravador da mão do jornalista. O gravador voltou as mãos de Victor Boyadjian somente horas depois, e com a gravação apagada. A pergunta causadora do rebuliço foi se ele abriria mão de sua aposentadoria como ex-governador do Paraná.
Alguns tweets (já que o senador tirou um sarro pelo Twitter) e dias depois, veio a justificativa que tive o prazer de apreciar em um telejornal. Veja só um trecho por escrito de suas palavras:
O senador Roberto Requião, que ontem (25) tomou o gravador de um repórter da rádio Bandeirantes e só devolveu o aparelho depois de apagar a entrevista que tinha dado, explicou no plenário o porquê da irritação e disse que foi vítima de bullying.
“Perdi a paciência e peguei o gravador do repórter porque o fiz: para que ele não editasse a entrevista. Acho que é momento correto pra resolvermos esse problema e acabarmos com abuso com esse verdadeiro bullying que sofremos nós os brasileiros, parlamentares ou não, nas mãos de uma imprensa, muitas vezes absolutamente provocadora e irresponsável”, declarou Requião.
Para quem possa ter alguma dúvida, pode assistir o vídeo.
Por que eu ri? Certo, eu explico. Não estou me referindo mais a seriedade dos seus atos, já que sua atitude frente ao repórter foi inominável. Uma afronta em tempos onde o direito a informação e o trabalho da imprensa são imprescindíveis para que a sociedade funcione, mas creio que quanto a isso todos já devem ter se manifestado. Meus risos partem da escolha do argumento bullying.
Caro senador, se tem alguém sofrendo bullying nessa história toda são os jornalistas impedidos de fazer o seu trabalho e acima de tudo os brasileiros que aturam toda sorte de malfeitos e piadas vindas dos bastidores do poder. Obrigada pelo desserviço prestado em desacreditar a expressão bullying, que deveria servir para designar coisas mais sérias.
Não duvido que os políticos possam sofrer bullying, pelo contrário. Nem precisa pensar muito para constatar a validade do argumento ao pé da letra, porém dar o papel de algoz ou valentão da escola à imprensa?
Quando penso que já ouvi muita coisa, sempre tem algo para surpreender… esse buraco parece mesmo não ter fundo.
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2 comentários:
Além de precisar de um manual que o ensine um pouco de educação e respeito, visto que o senhor referido não tem, falta também um dicionário e umas aulinhas sobre o que é bullying, pois ele é o errado e ainda se faz de vítima. Fala sério!
Típico de nosso país criminalizar a vítima.
O jornalista está lá, fazendo seu trabalho, faz uma pergunta sem teor ofensivo,não infringe nenhuma lei, tem seu gravador roubado,seu trabalho apagado e ELE está cometendo bullying.. OK
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