sexta-feira, 1 de abril de 2011

A revista feminina da Al-Qaeda e a mídia como reflexo da sociedade.

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magazinesImagem: dinostock/Photoxpress

É isso mesmo, você não leu errado. Estou falando de uma revista que está sendo conhecida como "Cosmopolitam da Jihad”. Tendo esse apelido, há de se convir que não é pouca coisa.

20110331_revista-alqaedaAl-Qaeda lança revista feminina para informar mulheres sobre a guerra santa

A organização terrorista Al-Qaeda lançou no mês de março uma revista para mulheres que reúne dicas de beleza, moda e orientações sobre a luta contra "os inimigos do Islã". A publicação Al-Shamikha (Mulher Majestosa), com 31 páginas e toda escrita em árabe, publica na capa da primeira edição a imagem do cano de uma sub-metralhadora ao lado de uma mulher coberta com a burca em um fundo rosa, relata o blog De Olho na Jihad citando o Daily Mail. (continue lendo)

Achou absurdo? Provavelmente sim, mas pense: há revistas para todos os públicos. Por que uma organização terrorista não poderia ter a sua? É uma questão de nicho e oportunidade.

Sobre o que a Al-Shamikha fala? Sobre as mesmas coisas que normalmente está em pauta em uma revista feminina, porém dentro do contexto de quem vive a realidade desta organização. Há colunas sobre moda e beleza, dicas para encontrar o “marido ideal” e o sobre seu papel como mulher. Nesse caso, seu papel na jihad, ou “guerra santa”.

[…] O editorial explica que o objetivo da revista é educar as mulheres e envolvê-las na guerra contra os inimigos do Islã, pois elas representam metade da população muçulmana. "Os inimigos do Islã estão empenhados em impedir que a mulher muçulmana saiba a verdade sobre sua religião e seu papel, pois sabem muito bem o que aconteceria se as mulheres entrarem de vez na jihad".

A "coluna de beleza" instrui as mulheres a ficarem em casa também com os rostos cobertos, mantendo sempre a "boa aparência".O niqab, conhecido  véu usado para cobrir os cabelos e a face, é "parte dos desígnios de Deus Todo-Poderoso" e a burca foi criada para protegê-las do sol.

Outro artigo incentiva as leitoras a dar a vida pela causa islâmica, que "pelo martírio, os fiéis tem garantia de segurança e felicidade no paraíso". O anúncio da próxima edição promete dicas sobre cuidados com a pele e como participar da jihad eletrônica. (continue lendo)

Essa não é a primeira revista lançada pela Al Qaeda. De acordo com o Portal Imprensa há uma outra, chamada Inspire, escrita em inglês e que tem os jovens muçulmanos do ocidente como público alvo, incitando-os a aderir e participar de atos terroristas.

 

Rótulos, responsabilidade e reflexão

O que dizer a respeito? Nicho de mercado? Oportunidade? Doutrinação?

Certo, há o intuito claro de doutrinação nesse caso, mas no fundo qual espécie de mídia não tem tal missão? Não é isso que se fala a respeito da imprensa?Educar? Convencer? Influenciar?

A responsabilidade é enorme, mas a fama da imprensa e dos seus profissionais sempre foi negativa. Não faltam teorias conspiratórias nem  filósofos de calçadas ou de botecos munidos de argumentos igualmente bêbados. O estranho é que poucos aceitam a ideia da imprensa como reflexo de uma sociedade ou, no mínimo, de seu público-alvo.

Agora temos o que dá pra chamar de suprassumo do extremo: tão extremo que chega a ser inusitado. O que dizer?

Talvez essa seja a prova de que existe público pra tudo e doutrinamento para todos, seja lá em nome do que. Também há a ideia de que o certo e o errado é uma questão puramente contextual, dependente de valores enraizados por cultura, criação e “caráter”. E seja lá qual for o seu público, ele tem uma mídia que lhe atende ou corresponde seus anseios. Isso é ou não um reflexo? Não é como olhar para um espelho?

Ele pode não ser o mais fiel nem refletir a imagem mais bonita. As vezes distorce, mas na maior parte do tempo é cruelmente fiel ao mostrar o que nem sempre estamos dispostos a ver.

Espelhos refletem e também exigem nossa reflexão. Pena que as vezes refletir sobre nós mesmos seja algo tão dolorido.

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1 Comentário:

Sybylla disse...

Ótimo texto.

Realmente, existe espaço para todos, no entanto não concordo com algo que leva pessoas a cometer assassinatos em massa, como são os atos terroristas. O próprio Corão tem regras quando a Jihad evolui para o confronto físico. É tudo questão de interpretação, isso é fato.

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