sexta-feira, 22 de abril de 2011

Profissão Repórter: o jornalismo, os jovens e a esperança

|

Contrariando todas as expectativas a respeito da relação atual entre os jovens e o jornalismo, parece que um programa está se tornando bem popular.

Entre velhos motes, o frescor das novidades

O Profissão Repórter, que há pouco tempo voltou a programação em nova temporada, mostrou a que veio em reportagens que nada lembravam os velhos motes do jornalismo do horário nobre.  Para quem estava acostumado ao velho ciclo vicioso estilo Globo Repórter, deve ter sido uma grande surpresa ninguém ter mencionado a importância de se alimentar bem ou as constantes viagens com destino às matas virgens de sei-lá-onde. Cá pra nós francamente,não sei mais de onde ainda conseguem arrumar mata virgem…

O programa comandado por Caco Barcellos já passou por uma ou outra reformulação em tons sutis.  Antes havia um tom mais professoral, em fazer não apenas o seu time de repórteres mas também os telespectadores entender o que era feito ali. Agora atende a algo sutil, talvez uma questão de atender público-alvo mais amplo, porém foram mudanças que vieram para o bem, tornando-os mais próximos à suas histórias, aperfeiçoando o que já parecia impecável.

Mundos particulares, mundos mais amplos: uma esperança a mais?

Sempre gostei do programa, volta e meia via uma movimentação com hashtags sobre os temas na minha timeline no Twitter, mas nunca foi adequado falar disso como um gosto popular, no amplo sentido da expressão. Um universo particular de gostos e interesses pode ser pequeno demais quando pensamos na amplitude de opiniões que nem sempre concordam com as nossas.

Tomar o próprio universo como sendo familiar a todos é um grande risco, porém na última edição, ao falar sobre a relação dos jovens com o álcool, ele teve repercussão suficiente entre os usuários da rede a ponto de ser digno de nota e tal movimento até mesmo ser considerado uma tradição, como foi citado no site Comunique-se.

Esse foi um feito digno dos grandes, considerando que seu horário não seja nada confortável para uma audiência expressiva como tantos gostam de cobrar e também não fala de assuntos considerados banais, ou agradáveis. Um programa que chegou-se até mesmo a cogitar em grandes portais que pudesse chegar ao fim.

A verdade é que ainda há esperanças, seja para a mídia ou para sua audiência. Apesar de ser uma bobagem querer exigir que a televisão somente eduque e seja exemplo de conduta moral de milhões de brasileiros, gosto de crer que os tais jovens não sejam tão alienados quanto parece conveniente pensar.

Se o Profissão Repórter foi capaz de tal façanha de falar com esse público sobre temas tão sérios sem aparentar ter grandes pretensões, o que mais não poderia ser feito caso o exemplo fosse seguido?

Ah, minha cara amiga televisão… você ainda consegue me surpreender: para o mal e para o bem.

RSS/Feed: Receba automaticamente todas os artigos deste blog.
Clique aqui para assinar nosso feed. O serviço é totalmente gratuito.

2 comentários:

Sybylla disse...

De fato, o Profissão Repórter parece ser o trigo no meio do joio, sem emburrecer, sem apelar. Sinal de que ainda há vida inteligente em alguns lugares dentro da TV brasileira.

Ana Karenina disse...

Oi Manu

O profissão reporter também me agrada, aborda temas importantes de uma forma diferente e tem servido para muitos jovens praticarem, mas o que acho mais legal é a coragem de inovar, apostar num formato diferente pra contar também sob novo ângulo problemas já conhecidos de nós todos.

Em dado momento sinto que eles escolhem um lado pra abordar e tentam aprofundar, com isso todos saem ganhando porque saímos do trivial, do raso e do previsível para adquirimos uma visão mais ampla, assim podemos opinar melhor sobre as questões da sociedade.

@anakint

Postar um comentário

Sua opinião é muito importante, comente!

Online

  ©Limão em Limonada | Licença Creative Commons 3.0 | Template exclusivo Dicas Blogger