A imprensa e o massacre de Realengo: quais são os limites?
As vezes tenho uma curiosidade que pode soar mórbida ou até mesmo fria nas atuais circunstâncias, em que estar a flor da pele parece ser lei: como será que a imprensa internacional costuma tratar casos como os de massacres dentro de escolas?
A curiosidade é oportuna: no Brasil houve o fator do ineditismo, então estardalhaço e a cobertura maciça sobre o ocorrido em Realengo seria inevitável. Só que lá fora já não é mais o caso: isso não mais exatamente uma mórbida novidade, e isso talvez torne a postura da mídia diferente.
O episódio em Realengo, que deixou 12 mortos e 10 feridos, aconteceu no dia 7 de abril, fazendo com que surgisse uma série de burburinhos e informações desencontradas sobre o atirador Wellington Menezes de Oliveira: foi especulado que fosse portador de HIV, que seu crime tinha ligações com o islã, que o fanatismo religioso o teria incentivado, os videogames o tivessem estimulado e toda sorte de coisas. Sites, jornais e emissoras de TV, cada um ao seu modo, dedicaram-se intensamente não apenas no ato de informar, mas também de fisgar o espectador pelo cheiro de carniça.
Até ontem, (12) as notícias ainda exploravam o caso, não apenas pelas novidades encontradas, como foi o caso da divulgação de vídeos gravados pelo atirador explicando seu plano e suas razões, mas também entrevistando crianças feridas no ataque e vociferando considerações a respeito das justificativas de Wellington para seu crime. Um novo dia de cobertura com direito até mesmo à expressões mais vívidas por parte dos apresentadores do Jornal Nacional.
Se isso tivesse acontecido em um país onde não fosse a primeira vez, como esse trabalho teria sido realizado? Seria a mesma exploração? A mesma exposição das vítimas? As mesmas discussões, ignorando obviamente as eventuais diferenças de contextos?
Pelo jeito a carniça ainda vai durar algum tempo e os urubus não vão sumir nem tão cedo…
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1 Comentário:
Sinceramente! relatar, divulgar, acompanhar e informar a sociedade sobre fatos de nosso cotidiano, seja aqui ou no mundo é importante, é o papel da imprensa - além de inumeras outras coisas - agora, o sensacionalismo, a carnificina, o exagero e utilizar o método; espreme que sai sangue, não dá. Chega! informação sem sensacionalismo é bom e a gente gosta.
forte abraço.
blog do josival
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