terça-feira, 8 de março de 2011

Mulheres: por um mundo mais justo e um pouco mais de respeito.

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Photoxpress_1551276Imagem: Adam Borkowski/Photoxpress

Ok, é chavão que hoje o texto seja justamente sobre isso, mas o que você esperava? Sou uma garota e esse é o meu dia. Escrevo por coisas quem parecem tão menores, então por que não fazer jus a uma ocasião especial?

Pode soar previsível, mas imagino que este ano a data possa ter um novo significado para as brasileiras, afinal temos uma mulher no posto político mais importante do país. Tudo bem que em um mundo igualitário isso não deveria ser motivo de espanto, mas como este mundo ainda não faz parte de nossa realidade, não dá pra ignorar o tamanho da conquista.

Imagem: Jorge Bin

Para muitas mulheres, a ideia de igualdade ainda é muito distante. Não estou falando de mim, que fui criada com a absoluta consciência de que poderia chegar onde quisesse independente do meu gênero, mas sim de outras que ainda vivem subjugadas.

Sim. Essas mulheres existem ainda que não façam parte de sua vivência. São aquelas que sofrem agressões ou são obrigadas a se diminuírem ou se desvalorizarem em nome de uma família ou um parceiro que não reconheça suas capacidades.

Essas mulheres não são  frutos da imaginação de campanhas publicitárias de revistas femininas. São mais do que números e estatísticas divulgadas por aí em rankings de violência, porque cada uma delas tem um nome, um rosto e até mesmo sonhos, caso a vida não tenha sido tão cruel a ponto de tirar até mesmo as esperanças.

Não querendo soar como se a vida fosse um grande esquema de teoria da conspiração, mas para muitas de nós o mundo parece ter sido feito aos moldes do domínio dos homens, e isso é notado desde a infância, seja insinuado levemente pelos contos de fadas ou cobrado de forma explícita durante sua criação. Tudo para criar aquele padrão de comportamento que exige extremo recato, discrição e fragilidade.

Imagem: Juliana Coutinho

Afinal, qual é o retrato da boa menina? Bela, doce, obediente, pueril e sonhadora. São essas as mulheres desejadas e as que terão finais felizes nas histórias infantis. E isso nos será cobrado durante todo o caminho em busca do futuro.

Bem, eu escutei todas essas histórias infantis, mas talvez o fato de também ter assistido os seriados de super heróis da extinta Manchete e desde pequena ter tido contato com revistas femininas possam ter mudado minha situação. E claro, sem esquecer o fato de que sempre fui criada para acreditar em igualdade de gêneros.

Não sei se isso quer dizer alguma coisa a meu respeito, mas nunca quis ser Lady Helen quando  as crianças brincavam de Spielvan na hora do recreio, nem a ranger rosa, quando a moda era Power Rangers. Eu sempre escolhia ser a Lady Diana ou a ranger amarela. Encare isso como quiser, mas sempre julguei mais divertido ser a personagem mais forte e não uma heroína de ar frágil ou patricinha, cujo perfil era a das cheerleaders das típicas produções norte americanas.

imageDiana (Spielvan) e Trini (Power Rangers)

Talvez por isso eu tenha vontade de bocejar ao escutar que um dia aparecerá para mim um príncipe encantado em um cavalo branco, ou então aquelas velhas insinuações sobre um futuro casamento e a formação de uma família.

Para quem não sabe, tenho 25 anos. Idade onde muitos julgam que eu já deveria estar preocupada com esses assuntos, mas tenho opiniões formadas a este respeito: coisas que algumas pessoas da família encaram como se fosse uma afirmação de uma criança mimada, em uma daquelas fases que no fim acaba passando, afinal que tipo de mulher não sonharia com isso?

Maternidade, por exemplo: as pessoas não entendem o fato de uma criança não fazer parte de qualquer um dos meus planos sobre futuro.

Ser mãe é uma escolha, e não uma atribuição genética da qual tenho obrigação bíblicas de honrar. Ser mãe não é a maior das felicidades que uma mulher possa alcançar, como se apenas dessa forma ela pudesse ser completa. E não tem nada que choque mais quem está a minha volta do que afirmar ser a favor da descriminalização do aborto.

Sinceramente?  Não acredito que *insira a entidade divina de sua preferência aqui* queira o homem no leme.” Acredito em um mundo onde mulheres podem ser aquilo que querem, seja uma mãe de família, uma profissional ou as duas coisas.

 Chutando o balde (Imagem: Tetsumo/Flickr)

Um mundo onde elas possam ter os mesmos direitos que os homens, sem a necessidade de um único dia para celebrar sua existência ou de lei que tenha de protegê-las como se fossem uma espécie ameaçada de extinção. E também onde ter uma mulher na presidência não seja razão de surpresa ou deboche.

Irreal? Talvez sim, talvez não. As coisas não mudam de uma hora para outra, mas faço questão de comemorar conquistas que surjam pelo caminho.

Copo meio cheio, ou meio vazio é um ponto de vista, um meio de pensar, o que não me torna alienada ou menos engajada, de forma alguma.

Enfim, enquanto houver o dia da mulher estarei disposta a comemorar. Parabéns, a nós!

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6 comentários:

Max Martins disse...

Excelente texto, Manu!

Alguém disse uma vez (não me pergunte quem porque não lembro) que o mundo seria um lugar bem melhor de se viver se fosse governado por mulheres.

Talvez essa frase tenha sido dita por alguém que percebeu que as mulheres têm a mesma capacidade que os homens, embora a maioria queira negar.

Estou contigo nesse desejo de ver uma sociedade onde não seja mais preciso "defender" a mulher e que os seus direitos não estejam apenas no papel. Aliás, com a sociedade que sonhamos não haverá espaço para tais leis, pois serão desnecessárias.

Parabéns pelo teu dia \o/

Bjs

Celma Araújo disse...

Oii, gostei do seu blog! vc topa parceria?

Ana Karenina disse...

Oi Manu

Espero mesmo que o mundo seja mesmo mais justo e respeitoso com as mulheres, que elas sejam melhor remunaradas, que sejam mais valorizadas, mais amadas e queridas, mas jamais que sejam iguais aos homens, porque não somos nem precisamos ser.

Direitos iguais sim, mas é necessário que as mulheres não percam sua identidade e seus traços sob a alegação de serem mais respeitadas ou parecerem mais fortes, temos que nos adaptar as novas realidades, obrigações e exigências do mundo moderno sim, mas não precisamos deixar de ser mulheres na nossa essência.

Bom dia para todas as mulheres.

Um Abraço

@anakint

Sybylla disse...

Ótimo texto, Manu.

Penso igual a vc, acho que o mundo que criaram para que as mulheres tentem se encaixar é descabido. No livro O Gozo das Feiticeiras, tem uma passagem que eu lembro bem, onde a Márcia Frazão diz que a mídia impõe uma visão de que mulher é aquela que tem belos cabelos por causa de um determinado xampu, pele lisa e sem celulite, que tem inteligência inferior e que consegue o que quer sob ardilosas chantagens e uso do corpo. Infelizmente, essa mensagem é absorvida por muitas meninas e adolescentes que aceitam o padrão e tentam segui-lo.
Meus alunos ficam espantados quando defendo a legalização do aborto em todos os casos. Eles acham um absurdo, dizem que o governo não pode interferir nos nossos corpos. Mas o governo há interfere. Não podemos legalmente cometer suicídio, não podemos legalmente injetar heroína na veia, mas se o governo precisar pode pegar um cidadão, colocá-lo numa farda e mandar para a guerra. Que mulher não pode ter direito a interrompeter algo indesejado?

Também concordo quando com a parte que vc trata sobre a maternidade. Foi empurrado por uma doutrina religiosa, especialmente cristã da crescer e se multiplicar, mas ter filhos é uma responsabilidade grande demais, um custo, e nem todas as pessoas querem. Por que elas são consideradas párias da sociedade?

Infelizmente, mulheres no mundo todo morrem simplesmente pelo fato de serem mulheres. É o generocídio. No Iêmen elas são separadas da sociedade, que em alguns grupos elas têm um idioma próprio. Acho que estamos muito longe de uma igualdade de sexos, se é que vai existir. O dia de hoje é mais para uma reflexão, como a da Manu, do que de comemoração.

Renata disse...

Muito bom!!!! Sua opinião parece com a minha em vários aspectos, embora sejamos tão diferentes! Interessantíssimo isso.

Vejo que as mulheres às vezes se auto depreciam demais. Em vez de comemorar o próprio dia, ficam reclamando de tudo que "vem" com o fato de ser mulher. Seja cólica, pressão para maternidade ou qualquer coisa. Já eu acho que temos que ser positivas. Já conquistamos bastante, e mesmo sem direitos iguais, nós não chegamos onde chegamos com negativismo. É preciso garra e muita força pra tentarmos reverter o pensamento machista que vem de tantas famílias e costumes antigos...

Parabéns pra você Manu!

Natalie Holland disse...

Como de praxe, adorei o post sobre as mulheres, esse sim é o verdadeiro retrato de como seria a igualdade de gêneros. Não apenas delegando 12343 tarefas pra 'mulher morderna' exercer ¬¬

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