quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Glee, o decote da discórdia e algumas palavras sobre ficção e realidade.

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É incrível a facilidade em criar polêmicas hoje em dia.  Mas a verdade é que as vezes alguns desses assuntos podem sim fazer algum sentido mesmo sendo tempestade em copo ´d’água.  Tanto sentido que até viram post por aqui.

Decote de atriz de  Glee  em revista causa polêmica

Bom, acredite se quiser eu não assisto Glee embora todo mundo que eu conheça fale nessa série. Não tenho paciência para assistir as coisas pela tela do computador então isso servirá para que eu mesma não corra o risco de confundir as coisas.

Ué? É um risco a se considerar afinal o público é tããão influenciável…

Eu gostaria de saber como a realidade pode ofender e confundir uma pessoa. Lea Michele é uma atriz. Ela interpreta uma personagem, empresta seu rosto e seu talento para uma fantasia durante sei lá quantas horas ao gravar no papel de Rachel, tida como uma menina certinha. Em sua vida real, nos seus horários de folga ela deveria ser quem é de verdade, não?

Acessando o site GleeTV mais um trecho interessante da grande enorme apocalíptica polêmica. Observe que a fonte é um portal para fãs da série e o texto selecionado abaixo deixa isso claro, mas o questionamento feito pelo autor é legítimo.

A capa de março da Cosmopolitan, com Lea Michele, a mostra com um grande decote, que mostra boa parte da sua pele, mas não revela muita coisa.

Fox News encontrou algumas mães que ficaram aterrorizadas pelas fotos. Os pais clamam que por Michele interpretar uma ‘boa garota’ do High School na TV, ela deveria levar essa imagem também para fora das telas. Sem palavras para definir o que esses pais acham que ‘atuar’ significa, mas nós devemos imaginar que eles esperam que Jane Lynch repreenda crianças nas ruas, e que Kevin McHale ande de cadeiras de rodas o tempo todo em público.

“Eu acho que Lea Michele está mandando uma mensagem errada. Ela interpreta uma ‘garota tão boa’ em ‘Glee’ e muitas crianças se espelham nela. Então, ela posa provocativamente em duas capas de revistas, o que fez meu filho, de 13 anos, ficar muito confuso e ofendido”, disse uma mãe.

“É irresponsável, um adulto que interpreta um menor, usar roupas provocativas”, disse outra mãe. Aparentemente, estes pais estão também ofendidos pelo conteúdo do artigo, no qual Michele menciona que bebe vinho e usa o Skype com seu namorado a distância, que mora em Nova York. Só para constar, Lea tem 24 anos de idade.

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Exigir dela o mesmo comportamento de sua personagem é irreal. E ao contrário do que buscam afirmar as zelosas mães falsamente ofendidas, isso sim é perturbador. Será que esses papéis são exigidos apenas para os casos de bom mocismo?

O que dizer de anti-heróis como House e Dexter?

Tá, podemos supor que Hugh Laurie tenha lá alguma semelhança rasa com aquele seu papel de doutor super bem humorado e cavalheiro. Quem leu “O Vendedor de Armas” deve saber do que estou falando. Mas imagine Michael C. Hall encarnando Dexter durante seu tempo livre?

Ops… é melhor sair da reta.

Hum, acho que o resultado não será lá muito bom…

Cá pra nós já está na hora de aprenderem a diferença fundamental entre ficção é realidade, não? Porque se alguém espera que um ator viva seu papel mais famoso durante as vinte e quatro horas do dia, provavelmente pode haver algo errado…

Infelizmente não é tão fácil, afinal a própria mídia alimenta esse tipo de coisa. Claro que o caso de Lea Michele é um extremo e por isso alcançou este tipo de repercussão talvez pouco mais consciente quanto aos excessos. Alguém vai ter de mudar o comportamento, mas tal mudança tem de partir do público ou da imprensa?

É um ciclo vicioso. Ambos se alimentam desse mundo de sonhos. A cobrança aconteceria mesmo sem uma grande mídia que use esse artifício para vender. Dizem que a imprensa é um retrato de quem a consome embora exerça influências diretas sobre o comportamento alheio.

Algo certamente aconteceria se uma das partes fosse capaz de quebrar o ciclo, mas qual delas seria capaz de deixar o vendável absurdo trivial e pensar fora da caixa? Talvez nenhuma. É muito confortável cobrar as celebridades, e usar sua suposta normalidade contra elas mesmas.

Não há perfeição que se crie, porém os atributos serão cobrados e cultuados mesmo na absoluta consciência de que jamais serão possíveis. 

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7 comentários:

eduardo.mps disse...

Duas palavras: Fox News.
Não tem maior bastião da falsa moralidade no mundo, infelizmente (embora se tente replicar isso em certos meios de comunicação daqui)

Mr. Zahta disse...

Isso acontece com um monte de celebridade, inclusive aqui no Brasil. O problema é que quem é mais que um fã, aqueles que acabam "acreditando" na série, trazem os personagens para a realidade.

Já vi gente falando que é por que o ator/atriz não acredita em seu papel. É diferente.

Uma coisa é o ator não acreditar no seu personagem. Outra é incorporar. Acho que até o autor deve achar estranho o seu personagem estrapolar as telas de TV e cinema. Ou não...

Sybylla disse...

É por isso que ainda tem atriz que interpreta vilãs na televisão que apanham na rua no tempo livre. As pessoas parecem que não conseguem mais fazer a separação de ficção e realidade.
E além do mais, nos Estados Unidos tudo vira uma polêmica sem igual. Se houve até com Harry Potter, quanto mais com um decote na capa de uma revista.

Alberis Luís disse...

"...o que fez meu filho, de 13 anos, ficar muito confuso e ofendido”, disse uma mãe." O cara com 13 anos fica ofendido por ter visto belos seios numa capa de revista é estranho,viu? kkkkk Deixando a ironia de lado... Tem certos pais que tiram qualquer um do sério, essa é verdade. A atriz não foi feita para o personagem,mas o personagem que foi feito para a atriz, acho que as pessoas sentem a dificuldade de diferenciar isso. #PENA.

Renata disse...

Honestamente não sei se tenho pena ou desprezo. Da mídia e das pessoas que não tem consciência do que é ficção e realidade. Talvez dos dois... Da mídia por criar caso por tão pouca coisa, alimentar essas mães excessivamente superprotetoras e, vamos combinar um pouco loucas. Todo mundo sabe que a mídia só faz algo se lucrar com isso. Lucrar mexendo com o psicológico de crianças é um pouco demais pra mim. Não me acho superior a ninguém, mas fico imaginando o que diabos uma pessoa tem (a menos) na cabeça pra não conseguir saber separar um personagem de uma pessoa real. É aquela coisa da vilã ser espancada na rua, e da boazinha ficar com essa cobrança de perfeição imaculada.

Gostei dos exemplos com House e Dexter. Bem direcionados!

Caipira Zé Do Mér disse...

Como ator eu posso dizer que os atores fazem parte dessa culpa também... Muito ator / atriz (de verdade, não só as celebridades toscas que colocam nas novelas e afins)faz questão de ir para a Ilha de Caras ou exige capa na contigo e essas revistas suuuuper úteis...

Bjão

Guilherme Reinhold disse...

Eu nem sabia da existência dessa série.
Quanto a essa questão da polêmica, o que eu posso dizer é que a mídia tem culpa e as supostas mães. Afinal, sabemos que a mídia é plenamente capaz de criar comentários fakes, apenas para dar crédito ao conteúdo.
Mas, tal como eu sempre digo, o problema não é as revistas porcaria, as novelas e outras coisas inúteis como o BBB. O problema é as pessoas que consomem isso, que alimentam esse tipo de indústria.
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http://cafepolemico.org

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