O Estadão e o comportamento da grande mídia nas eleições: o que muda agora?

E eis que algo surpreendente aconteceu: um veículo de comunicação finalmente assumiu um lado nas eleições de forma clara.
É, o jornal Estado de São Paulo “assumiu” sua posição. Quer dizer, declarou apoio ao candidato a presidência, José Serra em um editorial intitulado de forma bem sugestiva como "O mal a evitar".
Isso depois de darem mais do que na cara qual seria a posição do jornal, mas ok, tudo bem. Uma coisa é falar abertamente e outra é manter-se quieto. E antes tarde do que nunca.
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As reações ao fato foram diversas. Imagino que haja quem esteja pasmo e revoltado por tamanha ousadia em revelar o que chamam de “parcialidade” – como se por acaso existisse imparcialidade. – e enxergue a ideia como perigo.
Creio que tenha também quem veja isso como algo positivo, afinal o que está subentendido soa mais arriscado, mais perigoso. Afinal, lembram da montanha de lendas urbanas sobre as mensagens subliminares?
Sempre falamos sobre a mídia partidária. A Veja como tucana, o papel da Globo nas eleições de 88, sobre aquela mania de escândalos que vem a tona justamente na época da disputa dos cargos mais importantes… exemplos não faltam. Não falta quem diga que seria melhor para os veículos de comunicação se as coisas fossem feitas as claras. Talvez seja mesmo, tanto para eles, quanto para os eleitores.
Sem máscaras, seria mais fácil para o público definir fatos, pensar por si só sobre os argumentos, sem a ideia da obrigação da mídia imparcial. É mais propenso o despertar do chamado senso crítico, tão em desuso nessa época. Especialmente quando esse apoio é declarado nos editoriais, afinal, embora poucos deem atenção a ele, é pra isso que serve.
Notícia é notícia. Opinião é opinião. Isso seria honestidade, ou ainda algo digno de chamar de jornalismo. Enquanto for dessa forma – se é que é - ainda haverá esperança.
Pelo menos uma utopia, afinal a realidade é bem diferente.
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4 comentários:
Acredito que seria muito mais interessante se outros veículos de comunicação tomasse essa atitude, pelo menos não ficam se escondendo.
Abraço.
Oi, Manu
É um assunto um tanto "polêmico" na minha opinião.
Do mesmo modo que concordo com o comentário do usuário "opinião direta" de que seria interessante as coisas às claras, sou obrigado a dizer que um veículo de comunicação que opta pela parcialidade numa eleição acaba por perder a credibilidade em relação a qualquer notícia desfavorável aos candidatos adversários. Ou seja, por mais que estejam noticiando uma verdade, como teremos certeza disso?
Acho que o papel da imprensa é noticiar e nada mais. Para tentar "comprar" nosso voto e apoio já está cheio de gente por aí.
Bjs
Nos EUA as redes de TV (e jornais, e revistas) têm opiniões políticas abertas. Fulana é libertária, beltrana é liberal democrata, e por aí vai. Aqui no Brasil "ter opinião" não é muito bem aceito, e todos os veículos se portam como divulgadores da informação isenta de posicionamento, quando TODOS sabemos que isso não é a verdade.
O povo também não está acostumado com opinião, e talvez essa seja a causa de tantas máscaras. O que torna louváveis as atitudes do Estadão e da Carta Capital, que apoiam o Serra e a Dilma, respectivamente, abertamente.
Assim poderemos ter DISCUSSÕES, e não donos da verdade absoluta.
Max,
"Ou seja, por mais que estejam noticiando uma verdade, como teremos certeza disso?"
Duas palavras: Internet e discernimento.
Sorry pelo abuso nos comments, Manu. :)
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