A religião certa e os limites da ignorância
Não há limites para a ignorância humana, definitivamente. Quando acho que não dá pra ir mais longe, acontece algo que joga a m… no ventilador e faz a realidade fedorenta ser democratizada, vindo assim a luz do mundo.
Tomei conhecimento dessa verdade quando li o excelente post “Boa intenção” não é sinônimo de razão, escrito pelo blogueiro Fernando Biagini. E li a pérola que foi o ponto de partida de seu texto: uma pérola que alías foi a pior coisa que li nos últimos tempos.
Assim como ele, vou usar um trecho desse primor de texto.
Muitos educadores falam que devemos respeitar a diversidade religiosa.Eu não concordo com isso.Sou católica, e procuro sempre defender o catolicismo na escola. Acho que todas as diretoras e diretores de Escolas do Brasil deveriam promover o catolicismo e obrigar a todos a participar de festas Religiosas, pois a maioria dos alunos são católicos então eu acho que todos devem seguir e fazer igual a maioria.
Ok… então já que é pra fazer porque todo mundo faz: se todo mundo quiser enfiar a própria cabeça na privada e dar descarga, eu também devo fazer?
Não mesmo, so sorry. Esse argumento é FAIL desde o seu princípio.
Essa “professora” – pelo menos é o que ela diz ser - que creia no seu deus, escolhido entre tantos outros diferentes a serem adorados, diga-se de passagem. Ela que defenda até a morte a sua santa igreja, mas NÂO OBRIGUE todos a partilhar da mesma opinião, fé ou falta de horizontes.
Isso não é papel de professor: nem mesmo em aulas de ensino de religioso.
Não é papel de alguém que deveria falar em respeito dentro da sala de aula.
Respeito é recíproco. Enfiar goela abaixo uma fé que não é a sua, não é respeito e nem salvação. Usar aspas para classificar de forma pejorativa outras crenças diferentes da dela também não.
É ignorância. Arrogância.
Arrogante a ponto de dizer que estava exercendo sua liberdade de expressão no blog que é dela e os incomodados que se mudem.
Liberdade de expressão não é unilateral, pois também há o direito de opinar mesmo naquilo que alguém considere uma lei absoluta universal e celestial.
O que ela faz com os comentários que recebe no seu blog, aceitar ou deletar, tudo bem, é um problema seu e de mais ninguém. Mas confundir a liberdade de expressão como o direito de se dizer o que quiser, é demais pra qualquer um.
A partir do momento em que alguém se expõe, deve ter em mente que a repercussão nem sempre vai ser elogiosa, e que liberdade de expressão não vale apenas para as suas próprias ideias, mas também para a dos outros, tanto para a concordância quanto a crítica.
Será que estamos preparados para sair do nosso próprio mundinho e lidar com as diferenças?
RSS/Feed: Receba automaticamente todas os artigos deste blog.Clique aqui para assinar nosso feed. O serviço é totalmente gratuito.


5 comentários:
"...liberdade de expressão não vale apenas para as suas próprias ideias, mas também para a dos outros, tanto para a concordância quanto a crítica."
Perfeito, mas eu acho que ela está no direito de se expressar. Quanto a opinião ser patética ou não, aí sim cabe discussão, e que os argumentos sejam postos na mesa.
Essa é a grande consequência da liberdade de expressão: Os cavalos podem espalhar suas merdas por toda a avenida, mas prefiro ver os cavalos VIVOS. ;)
Carregamos traços culturais antigos ainda, embora o país seja laico no papel...
Quando fiz ensino religioso, materia de ensino fundamental em escola estadual, era ensinada toda doutrina catolica, ou seja, tive que dar respostas catolicas para passar na matéria...
Lamentável...
É bem conhecido que as Testemunhas de Jeová evitam participar de certas festividades com as quais não concordam. Essa postura, embora não compreendida pela maioria, deve ser respeitada como liberdade de crença e liberdade de expressão, ambas garantidas pela Declaração Universal de Direitos Humanos. Se a professora em questão tiver alunos Testemunhas dentro de sua sala de aula, explica-se o porquê de ela querer obrigar a todos a participar das tais festas religiosas mencionadas. Explica-se. Mas, não se justifica. Adolph Hitler também acreditava de modo veemente que estava com a razão para cometer as atrocidades que cometeu. Os papas que governaram durante a Era da Inquisição sustentavam até o fim que queimar alguém vivo na fogueira era um serviço sagrado. E muitos protestantes acreditam que humilhar mulheres que cortam os cabelos ou usam calças, é uma conduta cristã... E assim caminha a mediocridade...
Sou super contra o ensino religioso como matéria nas escolas. O estado é (teoricamente...) laico, as escolas deveriam ser também. Religião se aprende nas igrejas e em casa, caso a família seja religiosa.
É realmente lamentável a professora obrigar os alunos a fazerem coisas que são contra suas crenças.
"Mandava escrever rezas nos cadernos para assim eles aprenderem mais sobre os santos e a Santa Igreja católica. O problema é que pessoas de outras religiões, como os membros das seitas evangélicas não gostavam de escrever sobre Maria ou Santos católicos. Sempre dei um jeito de que eles escrevessem, pois entendo que a unica Igreja fundada por Jesus é a Igreja católica."
"Ela que defenda até a morte a sua santa igreja, mas NÂO OBRIGUE todos a partilhar da mesma opinião, fé ou falta de horizontes"
OMG, to rindo alto com isso aqui. Conheço gente que faz exatamente isso de querer impor sua opinião e crenças nos outros. É uma atitudo extremamente nojenta.
Postar um comentário
Sua opinião é muito importante, comente!