Os blogueiros, os jornalistas, tudo junto e misturado (ou não)
Quando a era de popularidade dos blogs começou, lembro que muitos jornalistas ficaram preocupados sobre como isso afetaria o seu trabalho. Os anos passaram, algumas coisas mudaram, mas de alguma forma a preocupação talvez tenha se justificado.
Estudo aponta que 52% de blogueiros se acham jornalistas
da Folha Online
Um estudo realizado nos Estados Unidos e Canadá sobre mídia e blogs concluiu que 52% dos blogueiros entrevistados se consideram jornalistas.
Este é um acréscimo significativo em comparação com a pesquisa de 2009 das empresas PR Week e PR Newswire, quando cerca de 33% tinham essa opinião.
No entanto, apesar da auto-imagem profissional, a pesquisa também apontou que "somente" 20% deles obtêm a maior parte de sua renda pelo trabalho blogueiro. É um aumento de 4% desde 2009. (continue lendo)
Não é lá uma grande surpresa. Muitos tinham essa preocupação quando a possibilidade de o usuário criar o próprio conteúdo e difundí-lo tornou-se mais palpável. O medo era que isso eliminasse a necessidade de um filtro intermediário entre informação e consumidor.
O temor serviu para que o processo jornalístico se modernizasse. Não que tenha evoluído o bastante, mas o suficiente para sobreviver enquanto aprende a lidar com a nova situação e até tirar proveito de facilidades.
O que há em comum?
Claro que as possibilidades infinitas no mundo online geraram consequências. Fez com que o usuário tivesse o gosto de se sentir um pouco jornalista, sem a fadiga do trabalho, mas com algum “gramour” (escrito errado mesmo porque trabalho de jornalista não tem glamour nenhum) e o dindim não tão bom quanto se pensa já que grande parte dos profissionais são durangos mesmo.
Sem contar os estereótipos. As pessoas acham moleza levar um blog sério adiante tanto quanto julgam fácil o trabalho jornalístico e que não há estresse… ó incautos!
Blog, jornalismo e estresse? Duvida? Leia então:
* 40 dias de penitências para salvar seu Blog - Ferramentas Blog
* Desciclopédia: "livre de conteúdo", mas não de algumas verdades
Mas o fato é que não são jornalistas. O compromisso de um jornalista é bem maior, assim como sua responsabilidade. Talvez não seja tão mentira dizer que ser jornalismo é como sacerdócio.
As diferenças elementares, ou nem tanto.
Há a ética – ainda que não respeitada por todos – o fato de que o trabalho simplesmente não tem hora pra acontecer, da obrigação em manter-se o mínimo informado e da consciência do peso daquilo que veicula…
Não que isso não faça desse profissional alguma espécie de todo poderoso embora haja toda a aura do quarto poder. Porém tente pensar na carga de responsabilidade que ele carrega.
Blogueiros podem sim ter credibilidade, mas não tem obrigação de ser imparcial – embora isso seja ambíguo. Podem ser ícones e assumirem responsabilidade, mas podem expressar opinião sem serem crucificados por tal ousadia. Dependendo da seriedade da informação postada, um erro não significará grande coisa, mas para um profissional de comunicação pode ser algo grave.
A-do, a-a-do / cada um no seu quadrado
Existem blogueiros, jornalistas, jornalistas-blogueiros e blogueiros que se julgam jornalistas. E para toda regra há exceção: há o que leva o blog a sério e o constrói com credibilidade, mas também há o kibador. Há o jornalista sério e o que opta por não fazer seu trabalho de forma ética. Mas, cada um no seu quadrado. Uma coisa é uma coisa é outra coisa é outra coisa, embora as vezes… ah deixa pra lá. Ambiguidade faz parte da vida.
E você? O que acha disso?
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6 comentários:
Oi Manu...
Não pude deixar de me interessar, ler e comentar seu post.
Bem, nos EUA o termo de blogueiro, ou blogger como eles chamam, tem um peso muito diferenciado do que aqui. Lá, a maior parte dos blogueiros são jornalistas, muitas vezes que atuam fora da própria área e acabaram encontrando nos blogs uma forma de voltar ao mercado.
Vemos muito isso na área de crítica. Hoje em dia os produtores de teatro e donos de restaurantes tem muito mais 'medo' das críticas de grandes blogueiros do que dos grandes colunistas, tendo em vista, que quase não estão lendo mais jornais impressos por lá. Nos Canadá não sei como anda a coisa.
Já aqui, os blogs sempre foram visto como um 'passatempo' para 'vabgabundo'. E, infelizmente, ainda tem gente que acha isso. Eu, quando comecei a ser blogueira, nem sonhava em atuar no jornalismo. Até quando eu entrei no jornalismo sempre conseguir separar a minha parte 'blogueira' da parte 'jornalista'.
Quando atuo como profissional, escrevo os textos de acordo com as normais jornalísticas: apuração, fidelidade, ouvir todos os lados, etc. Já como blogueira coloco a minha opinião sobre qualquer assunto que estou falando sem ter o compromisso de estar dando uma informação com 500 % de certeza. Na verdade estou opinando algo que já foi dito e redito por outros milhares de jornalistas.
No Brasil, sim, existe essa separação. E acho que deve continuar assim. Existem blogueiros que são ótimos profissionais, quando resolvem se dedicar a um nicho específico, e existem os jornalista-blogueiros que usam os blogs como forma de exorcizar seus demônios pessoais na hora de escrever, sem tanta pressão ou compromissos de prazos, datas, etc. Mas, infelizmente, existem os 'antes chamados de vagabundos', que não tem mais o que fazer, abrem um blog se auto-intitulam blogueiros e na segunda semana de blog no ar já se acham jornalistas por ascensão. E para falar a verdade não são nem uma coisa nem outra. Prefiro classificar essa turma do 'não sei o que estou escrevendo a não ser um monte de besteira e um quilo de conteúdo copiado de vários lugares', como a turma de parasitas: entram, sentam, mexem em tudo, olham, comem nossos trabalhos (dos blogueiros e dos jornalistas) e depois ainda querem levar os créditos, e méritos.
Fazer o quê... Aqui é Brasil. Quem tem que mudar isso somos nós e nossa 'incrível' mentalidade de população de 3º mundo.
Olá Manu
eu penso que antes de discutir se o blogueiro é jornalista, precisamos saber o que é ser jornalista.
nessa sociedade que qualquer um que vira um fenômeno de mídia se rotula como jornalista e que não exige mais diploma de jornalista, não me espanta que qualquer blogueiro se ache um.
O problema maior é a banalização e a distorção de valores.
Um abraço :)
Sabe que não faz muito tempo que eu descobri esse lado mais, digamos, "jornalístico" da blogosfera? Antes eu tinha uma visão de que blog = diário onde você conta sua vida.(ou posta imagens engraçadas) Isso vem da época em que as revistas tipo Capricho te ensinavam a fazer blog e eu fiz diários com as minhas amigas, hehe.
Mas, voltando ao assunto, o que eu gosto nos blogs é justamente a imparcialidade do autor. Gosto de ler argumentos que defendam uma posição. Acho que as duas coisas de completam: jornais para conhecer melhor os fatos e blogs para ver a opinião das pessoas.
Achei interessantíssima a discussão e confesso que estou aprendendo muitas coisas na chamada blogsfera. É claro, não sou jornalista e tampouco tenho essa pretensão em meus textos. Levando em conta também a definição mais estrita de blogueiro (que não conhecia com tanta precisão), hoje posso dizer que também não me considero um. Sou apenas um cidadão comum, um simples funcionário público que aprecia comentar, compartilhar suas opiniões com outros, ter uma visão ampliada dos assuntos do momento e da vida como um todo. Blogs como esse da jornalista Emanuelle Najjar são deliciosos de se ler pelo caráter tanto informativo como opinativo. Também tenho acompanhado outros blogs de pessoas comuns que tem também boas coisas a participar. Concordo com a comentarista Ana Magal quando ela diz que há muita gente na blogsfera sem ter realmente o que dizer e pior ainda, copiando os textos de outros. No meu caso, se não acho um blog interessante, simplesmente não o sigo ou nem mesmo me dou ao trabalho de ler seu conteúdo. Aqui no Brasil, observa-se que realmente o blog tem sido usado com uma infinita variedade de objetivos. Talvez seja lícito por se tratar de um espaço democrático. Cabe a nós, leitores (nessa categoria eu me incluo), selecionar o que acompanhar, assim como selecionamos os filmes que preferimos, os livros que gostamos, os jornais e revistas que nos são mais interessantes. Se a blogsfera nos permite, além de comentar, também poder expressar nossos pontos de vista que de outra forma não poderíamos, ótimo! Vale a pena tentar usar essa ferramenta do melhor modo possível, levando sempre em conta critérios que cabem em qualquer campo de atividade: bom senso e responsabilidade.
Delicia de Post, Manu! Os comentários enriqueceram ainda mais o conteúdo.
Só acrescento que já fiz críticas a um cantor daqui e isso gerou um bom debate, ou seja, o caráter crítico de um blogueiro é mais valioso que o jornalístico, pois não precisam ser imparcias na critica, muito pelo contrário.
Parabens pelo belo post. Sou blogueiro, tenho um blog jornalistico, ainda não fiz faculdade de jornalismo, mas fiz alguns cursos entre eles o de jornalismo on-line ministrado por um jornalista.
Uma coisa é certa e concordo plenamente com vocês essa ferramenta é uma excelente fonte de informação e fortalecimento da democracia.
www.momentoverdadeiro.com
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