terça-feira, 6 de abril de 2010

Educação e arena: o professor como presa dos leões

|

9charge_armas_escola

Fonte: Blog do Cícero

Ultimamente temos visto coisas que fazem qualquer um perder a fé no que chamamos de educação. Claro, todos a citam como salvação para as futuras gerações, e mais isso e aquilo. Porém, quem dá valor ao que acontece dentro de uma sala de aula? 

Casos de agressão a professores é o que não faltam. Ontem veio a tona ainda um ainda mais grave: uma diretora de escola que foi agredida ao tentar separar uma briga. Não é de hoje que os profissionais de ensino são agredidos: violência física, verbal… tudo isso diretamente. Sem contar as indiretas: professor é vagabundo, não desperta o interesse das crianças. Ele não ensina direito, não faz como se deve.

Quantas vezes não ouviu alguém dizer isso? Quantas vezes você mesmo não repetiu essas palavras? Se tem memória suficiente para lembrar de seus tempos de escola, certamente já se justificou dessa forma por uma nota baixa.

Em tempos mais remotos, ensinava-se o respeito. Como disse a Jô Angeℓ um(a) professor(a) era como se fosse nosso pai ou mãe e devíamos respeitá-lo. Não sei dizer se tenho propriedade pra dizer “na minha época ainda era assim”. Sou filha de professora, sempre convivi com outros professores e até mesmo um dia já quis ser um deles.

Para mim sempre foi natural respeitá-los mesmo nos tempos atuais. O que não é natural é ver e ouvir as barbaridades de hoje, consideradas atitudes aceitáveis. Crianças pequenas mandando a professora tomar você-sabe-bem-onde, fazendo para ela o gesto pudico do dedo médio e ainda perguntando qual o problema com isso, afinal “falo mermo”.

Onde os pais entram nisso? Em lugar nenhum. Crêem que o negócio é jogar o pirralho na escola e achar que lá eles tem que ser educados. Não para uma vida acadêmica, ou para o conhecimento mas sim para a vida.

Aquilo que deveria ser ensinado em casa. Um panorama muito bem esse panorama na novela Caminho das Índias, como descrito no post A quem cabe o papel de educar?

[…]

- A gente coloca filho na escola pra educar e eles voltam pra casa tudo deseducados!

Uma cena curta, a fala tinha poucos segundos, e a afirmação foi feita por uma personagem de núcleo de classe baixa, pela atriz Neusa Borges, acostumada a papéis de fala escrachada, as vezes intolerante, mas sempre sinceras. Fatos esses que poderiam ter levado o público a considerar a cena um sintoma de rabugice, mas eis que na cena seguinte, o plano muda:

Agora temos uma família de classe média alta. Um casal está conversando a respeito de constantes telefonemas da diretora da escola onde estuda o filho e a esposa se queixa, dizendo que o problema dessa vez eram as notas do rapaz, que não teria condições de passar de ano:

- Ah, quer dizer que eu gasto dinheiro, pagando a escola pra que ele aprenda e eles não ensinam? (continue lendo)

Com isso, vem o acúmulo das funções, descrito no excelente post Quando eu crescer, não vou querer ser Professor(a)! do blog Análise de Textos

Hoje em dia e cada vez mais, professor é um pouco de cada: psicólogo, pai, mãe, amigo, palhaço na frente da sala para chamar a atenção dos alunos, um ser criativo, inovador, provocador,estudante 24 horas por dia, têm mais reuniões pedagógicas que muitos empresários por aí, insatisfeito, ganha pouco, é estressado, depressivo. Um acúmulo de funções, pressões e redundâncias que deixam o professor(a) ser tudo em sala de aula, menos SÓ PROFESSOR(A), aquele que era responsável pelo conhecimento formal, pedagógico.

Nos tempos de hoje o professor nunca tem razão. As escolas vem o aluno como clientes de uma empresa, e como o cliente tem sempre razão, o empregado é quem se ferra. Não basta ter que encarar uma sala com 35 ou 40 anjinhos. Ainda tem de fazer o trabalho que a família nem pensa em assumir.

Quem disse que professor tem que ser santo milagroso? Quem disse que eles são sacos de pancada?

Não é a toa que dizem que a vida começa na escola. Se vivemos hoje em uma arena, os professores são as primeiras vítimas.

E pensar que esses alunos serão o futuro… qual o caminho mais próximo para as montanhas?

ee (as coisas mais simples da vida)

RSS/Feed: Receba automaticamente todas os artigos deste blog.
Clique aqui para assinar nosso feed. O serviço é totalmente gratuito.

5 comentários:

Douglas Costa disse...

É Brasil! Não há como negar

Lucas P. F. de Carvalho - Psick disse...

Que terror, realmente, professor sofre muito, eu não sei como todos eles não são amargos e ranzinzas, tenho professoras e professores extremamente pacientes e simpáticos em sala de aula, logo estes são os mais desrespeitados, é uma inversão de valores assustadora.

E pensar que, se essas crianças tivessem sido educadas com mais disciplina, elas não teriam esse tipo de atitude, liberdade demais acaba virando libertinagem e no fim da nisso ai.

Jô Angeℓ disse...

Vou estourar de tanto orgulho de ter sido citada aqui. Obrigada! Seu post ficou maravilhoso!Complementou tudo que acho também! Arrumemos as malas. As montanhas nos esperam....Bj

crazyseawolf disse...

É assim como está no título, que eu me sinto.

Lúcia disse...

Oi.Eu fui para à escola em uma época que professora era tia,a tia nos levava até o portão e nos beijava,Como era lindo o meu viver!A escola era um paraíso.Meus modelos de professoras são a tia Tania e a tia Sueli.Cresci com um pensamento fixo: serei uma professora.Ao longo do meu caminho
encontrei vários exemplos de professores,mas a que
mais admiro pela a paciência e à maneira de ensinar é a professora Ivete Lopes,foi essa que me ensinou morfologia e sintaxe,a parte que eu mais gosto da língua portuguesa.Hoje sou uma professora recem-formada,se eu conseguir ser 0,5% igual a elas,serei a professora mais feliz do mundo.As crianças de hoje não estão vendo bons exemplos nos professores porque o salário é muito baixo e por ser baixo,os alunos não valorizam essa profissão e por não valorizá-los desrespeitam a quem a escolheu como a profissão de um sonho da vida inteira.Eles não sabem como é gostoso ensinar e aprender.
Abraços,Lúcia
14/05/010

Postar um comentário

Sua opinião é muito importante, comente!

Online

Contador

contador de acesso

Onde estou

  ©Limão em Limonada | Licença Creative Commons 3.0 | Template exclusivo Dicas Blogger