É tão mau assim pensar em si mesmo?

Ontem, folheando o livro O Diabo Veste Prada acabei lembrando de um questionamento que não explorei no post-resenha: Afinal, qual o mal de pensar em si?
Acredito que a maioria das pessoas deve ter assistido apenas o filme, e pensam que as duas obras são semelhantes. Pelo contrário. São quase completamente diferentes. Talvez porque a simples transposição do livro para as telas não faria sucesso, não seria comercial o suficiente. Se fosse o caso inverso, talvez o livro não fosse bem aceito: seria adolescente demais.
No livro, a protagonista Andrea Sachs tem objetivos claros. Ela quer ficar um ano no seu emprego para depois ter condições para lutar pelo posto dos sonhos. Um ano pode ser um período muito penoso para quem tem a temida Miranda Priestly como chefe. Andrea vai levando da melhor forma que pode, ignorando cobranças e problemas pessoais, e com isso o tempo passa.

Um dia normal de trabalho na vida de Andrea Sachs
O “porém” é que ela começa a ser cobrada por sua família, namorado e amigos. Seus pais reclamam que ela ainda não pode viajar para conhecer o sobrinho, mas tem de viajar para Paris a trabalho (como se fosse alguma espécie de turismo), de seu namorado que se julga tendo pouca atenção de sua parte, e de sua melhor amiga porque Andrea mal pode atender o telefone.
- Cobrança dos pais: Justificável, pois aparentam ser um pouco tradicionais.
- A melhor amiga: Dependente demais. Ocupada demais com dilemas amorosos e mil bebidas para notar que a vida de Andrea não gira ao redor de seus problemas.
- O namorado: Pouco importa: ele se mostra prepotente na maior parte do tempo. Perto do fim do livro então… dizer que sabia que ela ia fazer a escolha certa.
O que seria escolha certa? A opinião dele?

Sério, não vou ficar me alongando pra falar do livro e fornecendo spoilers. Sei que não é todo mundo que leva isso numa boa. O que posso dizer é que Andrea sofre diferentes tipos de cobrança, e quem deveria apoiá-la apenas atrapalha.
Andrea está se esforçando para suportar um ano ao lado de uma chefe que só faz dificultar. Tudo em nome do seu sonho de estar na New Yorker. E ainda precisa ser cobrada para ser babá de uma amiga que: entorna o caneco, leva desconhecidos dos piores tipos para uma noitada no apartamento que dividem… para ser sua enfermeira quando a outra sofre um acidente ao dirigir bêbada, sendo que Sachs está do outro lado do mundo, suportando os desmandos de Miranda pensando que falta pouco para o período de um ano.
Andrea está sendo egoísta em se matar de trabalhar para realizar seu sonho? Ela abriu mão de tudo em sua vida para ser taxada como egoísta e negligente?
Era o trabalho dela. Era o seu próprio sonho. Ela é má por buscar o que quer de sua vida?
Poupe-me.
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2 comentários:
olá Manu
uma reflexão bem interessante que você nos traz, mas infelizmente a maioria das pessoas na nossa sociedade gostam de pregar o amor ao próximo, solidariedade, altruísmo e etc, para justificar a preocupação mais com os outros do que consigo mesmo.
no tempo que eu estudava bastante pro vestibular e pra concurso, muita gente me julgava maluca, que não sabia viver e etc... agora que consegui boas coisas através do estudo, agora me chamam de "marajá" e "vida boa", marajá o cacete, eu ralei pra conseguir, mas o ser humano é assim, gosta de julgar as pessoas de acordo com os próprios espelhos, mas esquecem que cada um tem seu ideal de vida.
vendo este texto, lembrei de um que fiz uma vez: "o lado bom do egoísmo"
é isso. um abraço :)
acho que primeiro, temos que pensar em nós, mas sem esquecer do outro..mais ou menos isso!
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