quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Imparcialidade: o extremo é um mito e ambiguidade é a regra

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Hoje, numa tentativa de voltar ao mundo real do Brasil pós-carnaval, acabei lendo um texto muito interessante chamado "Bial não é imparcial", reclamam dentro e fora da casa. E daí? 

Sim, trata-se de um texto sobre Big Brother Brasil, escrito pelo jornalista Mauricio Stycer. Pode parecer estranho comentar sobre o assunto já que não assisto o programa, porém 95% da minha timeline do Twitter o faz. Diante disso é impossível ficar de fora. E o tema proposto por Stycer é muito interessante, especialmente levando isso pouco mais a frente. (Isso significa que o tema não é BBB, ok?)

É um fenômeno curioso. Bial construiu uma carreira como jornalista – primeiro repórter dos noticiários da TV Globo, depois apresentador do “Fantástico”. Desde 2002 à frente do BBB, empresta ao programa a credibilidade que acumulou como jornalista, mas atua como profissional da área do entretenimento. Isso parece confundir o público e os candidatos, quando avaliam Bial sob a métrica utilizada para julgar jornalistas. Ele foi objetivo? Isento? Imparcial? Justo? (continue lendo) 

Imparcialidade é subjetivo, especialmente quando falamos em mídia, comunicação. Subjetivo e impossível. Imparcialidade é mito: ela está em cheque a cada palavra escrita, imagem ou argumento escolhido no ato de repassar a informação. Para os adeptos da filosofia é oito ou oitenta, ser imparcial é pura utopia: existe parcialidade sim, a cada etapa.

A eterna busca pela verdade, ou imparcialidade, descobre-se um mito. Podem-se ouvir os dois lados ou descobrir todas as facetas, mas a cobertura sempre será tendenciosa. O velho mito norte-americano vira pó quando se está editando uma matéria e escrevendo um texto. Cada escolha de palavra e cada vírgula pode ser usada de forma a atribuir sentidos diferentes... ou seja, puxar sardinha mesmo. Não é preciso estar no mercado para descobrir isso, basta a primeira aula na faculdade. (continue lendo)

É impossível não fazê-lo. É do ser humano, e não estratagema demoníaco de uma profissão. Ninguém é imparcial, e estamos sempre tentando passar um ponto de vista e convencer o outro a acreditar nisso. Cada um tem a sua opinião, ainda que não a demonstre.

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Todos tem opinião pra tudo mas nem sempre demonstramos: isso é ser mascarado?

Juízes podem ter a simpatia por um réu ou uma causa antes do julgamento, mas não demonstra, justamente esperando por algo que mude o processo ou o confirme. E não necessariamente a expõe em seu veredito. 

O assunto é mais sério quando falamos em mídia, em comunicação massiva. Em prol de um ângulo de um determinado assunto a ser abordado, há a redação de um texto, escolha de imagens e várias outras coisas… tudo para dar ao público maior compreensão do fato. Há os mais brandos, e aqueles descarados.

Organizações de mídia, como jornais e emissoras de TV tem posições editoriais distintas - explícitas ou não - e podem refletir isso no repasse da informação, embora isso seja visível na maior parte do tempo sem que necessariamente prejudique a veracidade. 

Confunde-se imparcialidade com verdade. O público age como se fossem sinônimos, e qualquer espécie de argumento ao contrário seja coisa do demo: uma métrica cruel. Photoxpress_5369582

Para os extremistas funciona assim: quem eu vou prejudicar hoje?  

Extremismo por extremismo, se estamos falando em utopia, isso significa que  é fantasia: irreal, inexistente. É apenas um conceito de uma imagem glamourosa vinda do jornalismo norte-americano, de onde aliás vem muito das modas que surgem por aqui, porém, isso é assunto pra depois. Outro post quem sabe? 

Dizer que ser imparcial é mito, não é o mesmo que afirmar a mídia como manipuladora descarada e sem compromisso com a verdade (embora muitas possam ter esse mérito). O jornalismo precisa da verdade e de fatos que a comprovem pois essa é a essência. Ouvir e expor os dois lados é obrigação, porque a responsabilidade é enorme: o público precisa refletir sobre as informações e notícias que consome, inclusive desconfiar: até mesmo de fofoca de celebridades. É preciso critério. 

Coisinha complicada, não? É, mas não é… uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Trocinho difícil.

Infelizmente o dúbio e o subjetivo não são algo que todos possam entender.

Business Man

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1 Comentário:

Evandro disse...

Ótimo texto Emanuelle, realmente, a imparcialidade é utópica e o grande público (principalmente os criados ao redor da velha mídia) não entendem isso. A mesma parcialidade que um blogueiro tem, existe num editor do JN, nós somos humanos, não existe a verdade absoluta e entender isso é fundamental para a reflexão e compreensão das informações consumidas.

@evandronash

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