sábado, 20 de fevereiro de 2010

Filme: O carteiro e o poeta

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Ontem assisti o filme O Carteiro e o Poeta (Il Postino). Não digo que seja o tipo de filme que eu esteja acostumada a assistir em circunstâncias normais. Sendo assim, não espere uma resenha digna de um crítico de cinema, ou alguém amplamente capacitado. É apenas a opinião de um espectador interessado o bastante para traduzir uma impressão em um post qualquer.

Quando digo que não é o tipo de filme que estou acostumada, refiro-me ao fato de que não é o tipo de coisa que passe na TV. Quer dizer, não é popular ao ponto de ser exibido na Sessão da Tarde ou afins. O que me levou a assistí-lo foi a lista 27 filmes sobre escritores e 2 bônus do blog Livros e Afins. Nada que tenha sido muito comum.

Além disso há o fato de ser um filme baseado em livro: O Carteiro e o Poeta do autor Antonio Skarmeta. E pelo que pesquisei, com diferenças substanciais em ambientação e circunstâncias. Não li o livro, então isso faz com que eu não sinta nenhum desses poréns, de já ter uma história a ser retratada em mente e fazendo comparações.

 

O Carteiro e o Poeta (Il Postino)

A sinopse do filme é essa:

Por razões políticas o poeta Pablo Neruda (Philippe Noiret) se exila em uma ilha na Itália. Lá um desempregado (Massimo Troisi) quase analfabeto é contratado como carteiro extra, encarregado de cuidar da correspondência do poeta, e gradativamente entre os dois se forma uma sólida amizade. (continue lendo)

Para alguém acostumado com a dinâmica de um filme típico de Hollywood, estamos falando de um filme lento, lentíssimo. A história flui sem pressa, simplesmente. Não é como aqueles que muito raramente tem algum momento de silêncio. Esse tem vários, mas sem comprometer a trama. Ela se desenrola, aparentemente sem pretensões, como a própria amizade dos protagonistas e o comportamento dos demais personagens.

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Aliás, falando em personagens esse filme foi um caso a parte: o carteiro Mario Ruoppolo (Massimo Troisi) soou pra mim como uma metamorfose ambulante. Ele começou o filme como um cara chato, muito chato mesmo. Depois disso, foi se tornando mais interessante, com um jeito meio inocente meio malandro.

Suas tiradas foram excelentes, e a melhor foi quando, numa conversa, o carteiro pede ajuda ao poeta para sair da enrascada que havia se envolvido com a tia de Beatrice (Maria Grazia Cucinotta), que descobrira uma poesia bastante íntima escondida com a sobrinha.

Seria essa uma justificativa válida para a pirataria?

(Mario): Meu caro poeta e camarada, você me colocou nessa enrascada, agora tire-me dela. Você me deu livros para ler, ensinou-me a usar minha língua para mais que lamber selos. A culpa é sua de eu estar apaixonado.

(Neruda): Não, isso não tem nada a ver comigo. Eu lhe dei meus livros, mas não autorizei a roubar os meus poemas. Você deu a Beatrice o que escrevi para Matilde. 

(Mario): A poesia não pertence a quem a escreve, mas àqueles que precisam dela.

(Neruda:) Gosto desse sentimento democrático. 

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E esse filme ainda causou uma reação inesperada. Foi fácil me emocionar, por mais sacrificado que possa parecer assistí-lo, pelo menos pra quem acredita que filmes devem ser dinâmicos. Não parto dessa premissa: se fosse assim nem conseguiria assistir Viver a Vida cujo ritmo faz uma festa de ano-novo durar dois ou três capítulos.

E como se não bastasse o desenrolar emocionante de uma história tão humana, ainda teve a história por trás do filme, coisa dos bastidores. É que Massimo Troisi, que interpreta o carteiro, morreu doze horas após terminar as filmagens. O ator sofria de problemas cardíacos, e havia adiado a cirurgia, crendo que o filme era mais importante.

De fato, foi o mais importante de sua carreira: Troisi foi indicado ao Oscar Póstumo como melhor ator, na premiação de 1996.

O Carteiro e o Poeta também concorreu nas categorias de direção, filme e roteiro adaptado (Massimo Troisi também foi um dos roteiristas). Venceu na categoria de trilha sonora original. E de acordo com o site IMDB, ainda recebeu 21 prêmios.   

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1 Comentário:

Lenise Souza disse...

É bom mesmo este filme, eu estive pertinho de onde o filme foi gravado, na Sicília....é lindo demais o lugar, assisti ao filme depois da viagem, foi ainda mais emocionante!

Tem uma postagem sobre ele no meu blog http://lenisess73.blogspot.com.br/2008/08/ill-postino-o-carteiro-e-o-poeta.html

Parabéns pelo blog, abraços!

Lenise

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