segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A jornada da leitora: Os Catadores de Conchas

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image É, isso aí: mais um livro lido, e bem mais do que isso. Um livro especial.

Esse é um dos meus preferidos, sem sombra de dúvidas. Quando comecei a ler, foi um empréstimo de uma biblioteca, mas devido a tarefas da faculdade, não pude terminá-lo. Tentei terminá-lo num daqueles arquivos digitais, mas a exemplo de Memórias de uma Gueixa não foi uma experiência que deu certo, principalmente quando o número de páginas pode não ser convidativo para um bom número de pessoas.

Estamos falando de um tijolinho. Apelido carinhoso a livros cujo tamanho não permite que seja lido em qualquer lugar: 697 páginas. Isso significa entretenimento a longo prazo, pois nem todo tijolo é livro didático ou dicionário.

Ok, vamos ao que interessa. 

 

Os catadores de Conchas

Trata-se do livro que levou sua autora, Rosamunde Pilcher a fama internacional. Lançado em 1987, não é o tipo de bestseller do qual estamos acostumados a ver agora. Nada de animais saltitantes, nem de vampiros, bruxos e monstros. Ok, há a 2º Guerra Mundial, mas ela não é o fator principal dessa trama.

Ambientando a ação em Londres e na Cornualha, desde a Segunda Guerra Mundial até os dias de hoje, Rosamunde Pilcher narra a história da família Keeling e das paixões e desilusões que a mantiveram unida durante três gerações. A família gravita em torno de Penelope, e são seu amor, coragem e senso ético que determinam o rumo de suas vidas.

Entre os bens que são mais caros a Penelope encontra-se o quadro Os Catadores de Conchas, que seu pai pintou e lhe deixou como lembrança e legado. É esta pintura que simboliza para ela os vínculos entre as gerações – o presente, o passado e o futuro. E será justamente o destino desta tela que poderá desagregar a família. 

É um livro para poucos, que exige paciência e imaginação. Simplesmente não é nada que você possa passar os olhos. É um tipo de narrativa que exige tempo e calma para ser apreciada porque desperta um mundo de sensações. A autora gosta de descrições bem detalhadas, seja de lugares, personalidades ou pessoas.

Visão, tato, olfato e paladar entram em ação voluntariamente e sem qualquer esforço. É possível sentir a maresia da praia, o cheiro das tintas e o gosto dos biscoitos amanteigados, e de repente aquela história de o livro é uma viagem sem sair de casa passa a fazer muito sentido.  

Seus personagens são realmente humanos, com defeitos e qualidades, passando longe da perfeição, por mais que tenham um papel importante. As vezes alguns tem tanta personalidade que é difícil não ter algum envolvimento com eles, especialmente no que diz respeito aos filhos de Penelope: a tediosa Nancy, a decidida Olivia e o bon vivant Noel. Nancy então salta das páginas do livro com seu mundo feito de miudezas e aparências.

Livro para ser lido naqueles dias bem preguiçosos, sem pressa. E sem sombra de dúvidas, vale cada página.       

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