terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A jornada da leitora: Memórias de uma gueixa

|

image É, mais um livro terminado. E esse é realmente especial.

Há muito tempo eu queria ler, mas nunca o encontrava nas bibliotecas. Os arquivos digitais além de estarem no português de Portugal, são cansativos. Afinal estamos falando de um livro com cerca de 450 páginas e não é muito fácil ler na tela do computador. Fiz isso com dois ou três livros e dispenso, pelo menos até o dia em que puder testar algum desses readers que estão chegando no mercado.

Além disso o precinho dele não cabia no meu orçamento. Mas finalmente consegui, depois de encontrá-lo com um preço irresistível.

Enfim, voltando ao assunto. O post está meio atrasado, porque embora eu já o tenha lido há três ou quatro dias, resolvi assistir o filme. Caso contrário, ficaria sem entender certas coisas. Não conseguia visualizar as roupas, a maquiagem e algumas sutilezas.

E digo uma coisa: gostei muito do que li.     

 

Memórias de uma Gueixa

Nos resumos que li por aí e até mesmo na própria contracapa do livro, encontrei as seguintes palavras.

“É um romance fascinante, para ser lido de várias maneiras: como um mergulho na tradicional cultura japonesa, ou um romance sobre a sexualidade, ou ainda como a descrição minuciosa da alma de uma mulher já apresentada a um homem.

É realmente fascinante, e talvez não possa ser definida de uma só forma, como pretende essa breve sinopse, se é que dá pra chamar assim. A escrita é minuciosa e tudo que Chiyo, ou Sayuri  - como passa a ser conhecida – é rica em detalhes e lembranças.

As situações descritas pela protagonistas são quase palpáveis, embora possam parecer pouco compreensíveis para os ocidentais. Até mesmo o próprio conceito de gueixa, que por aqui é comparado erroneamente a prostituta. Gueixa é “arte viva”. Sua função é entreter, com dança, canto, música e conversas, mas não estamos nos referindo a sexo. Não necessariamente uma coisa levará a outra.

Tive de usar o google em vários momentos, especialmente naqueles que diziam respeito a sua roupa. Minhas credenciais de fã de antigos seriados da rede Manchete não me dá o status de conhecedora da cultura japonesa, nem mesmo do básico. O filme me ajudou muito nisso, embora haja grandes diferenças.

Mas não vamos nos enganar. Estamos falando de um romance. Não é uma novela mexicana, mas é tão sofrida quanto.  

Nitta Sayuri é uma heroína sofrida, de verdade. Nem mesmo as “Marias” mexicanas talvez chegassem a tal ponto. Eu sei que é difícil imaginar, mas observe:

 image

Chiyo e sua irmã mais velha, Satsu, são vendidas como servas para okiyas, as casas de gueixas. As duas acabam separadas, e a menina começa a frequentar a escola preparatória onde as jovens se preparam para a carreira. Chiyo é constantemente maltratada por Hatsumomo, que se sente ameaçada pela beleza da garota.

Ao tentar fugir para encontrar a irmã, acaba sendo descoberta e seu futuro como gueixa é dado como perdido, e Chiyo passa a trabalhar como escrava para pagar suas dívidas com o okiya. Descobre que seus pais morreram e sua irmã fugiu, abandonando-a.

Por um golpe do acaso, ela deseja ser uma gueixa após conhecer um homem que lhe dedicou um pouco de atenção e bondade e estava em companhia de duas delas. Chiyo quer ser uma delas justamente para um dia ter a chance de reencontrá-lo e merecer sua atenção. Por mais acaso ainda – ou não – acaba sendo adotada e treinada por Mameha, que é rival de Hatsumomo, e sob sua tutela transforma-se em se na famosa gueixa Sayuri.

Claro, que no meio do caminho um monte de coisas acontecem. Os maus tratos por parte de Hatsumomo - que enxerga em Sayuri uma rival a ser combatida - a guerra, e o passar dos anos que prometiam lhe trazer rigidez quanto as emoções e o conceito de amor, mas que permanecem ali, intocadas. Definitivamente estamos falando de um romanção descrito em minúncias, embora em um certo ponto possa passar longe daquilo que exigimos em dose errada quando se trata de ficção: realismo.

Quanto ao filme… bom. É um complemento já que nem sempre a imaginação dá conta do trabalho, mas ainda prefiro o livro. – oh, novidade!

 

O filme

Explico: como sempre, o filme não é capaz de ter a profundidade da obra literária. Seja pelo tempo de duração ou da visão do diretor sobre obra em questão. O filme acaba deixando de fora acontecimentos importantes e coisas que mereciam mais destaque e contextualização. 

Acontecimentos que se referiam a determinados personagens acabaram mudando, como os acontecimentos envolvendo a decadência de Hatsumomo, e até mesmo a própria Chiyo/Sayuri frente ao que poderia ser o fim de suas esperanças amorosas. Outras passagens foram recriadas no filme de forma mais brutal do que como são apresentadas no livro, e outras, por sua vez, amenizadas. Tudo pela dramaticidade vista pelo senso comum. E a própria condição feminina, tão falada no livro foi esquecida na adaptação.

Apesar das paisagens belíssimas, do figurino e da maquiagem característica e de tudo a ser considerado apelo visual, foi como distorcer o livro.

  image

image

Sem contar também a escolha do elenco. As personagens principais foram interpretadas por atrizes que não eram japonesas. Ziyi Zhang (Sayuri) e Gong Li (Hatsumomo) são chinesas, e Michelle Yeoh (Mameha) é malaia. Nomes conhecidos, porque afinal estamos falando de Hollywood, só que por mais que as atuações sejam excelentes – Gong Li que o diga – a ação não tem a mesma propriedade.

Isso não quer dizer que não valha a pena assistí-lo. É um filme belíssimo, que corre o risco de ser considerado maçante devido ao seu ritmo. Apenas não tente esperar dele o que lemos no livro, seja profundidade ou a própria história contada a risca, como toda adaptação de obra literária.

Afinal, Hollywood é Hollywood.       

RSS/Feed: Receba automaticamente todas os artigos deste blog.
Clique aqui para assinar nosso feed. O serviço é totalmente gratuito.

5 comentários:

recriararte disse...

Olá, parabéns pelo blog! Sou Alexandra da RecriarArte quadros e decoração, e lhe peço para que por gentileza adicione nosso site a sua lista de links, adicionaremos o seu blog em nosso site tembém!

www.recriartequadrosedecoracao.com.br
alexandra@yahoo.com.br

| Design Gráfico | disse...

corrigindo:
alexandra@recriararte.com.br

O Onisciente disse...

Oi Manu!
Já assisti o filme, mas infelizmente não tive a oportunidade de ler o livro.
Concordo contigo no que toca a superioridade das obras literárias diante dos filmes.
Duvido muito que teria gostado de "Marley e Eu" e "Memórias de uma gueixa" se tivesse lido os livros.
Quanto ao filme, gostei bastante. Fotografia e figurino impecável, e história que lhe prende. Com ótimas lições e esclarecimentos.

Vanrochris Vieira disse...

Li o livro a menos de um mês, realmente é lindo. Gosto da forma como as personagens são construídas, de uma maneira um pouco contraditória. Como Abóbora, que se divide entre sua pureza inicial e a mágoa que sente por Sayuri. E a propria Sayuri, que se divide entre sua inexperiência e sua esperteza.

Gilberto disse...

Deu vontade mais vontade de lê-lo... (e assistir ao filme também..)

Postar um comentário

Sua opinião é muito importante, comente!

Online

Contador

contador de acesso

Onde estou

  ©Limão em Limonada | Licença Creative Commons 3.0 | Template exclusivo Dicas Blogger