Fanfics e blogsfera: mundos diferentes, mas iguais
Dois mundos aparentemente distintos, mas que guardam semelhanças notáveis.
Creio que todo mundo sabe o que quero dizer com blogsfera, mas duvido que saibam o que são fanfics. Já que vou começar a falar grego, aí está uma tradução by Wikipedia:
Fanfic é a abreviação do termo em inglês fan fiction, ou seja, "ficção criada por fãs". Trata-se de contos ou romances escritos por terceiros, não fazendo parte do enredo oficial do livro, filme ou história em quadrinhos a que faz referência. (continue lendo)
É isso mesmo, estou falando de um hobby que vive a margem dos direitos autorais, que é coisa de fã e não rende grana nenhuma (mas não venha me dizer que é inútil!)
Mas, afinal por que estou comparando isso com o mundo atrativo, concorrido e endinheirado (oi?) dos blogs?
Talvez por serem mais parecidos do que se pode pensar.
Não é ousadia, ou comparar o incomparável. Estou falando aqui de outro mundo igualmente atrativo e concorrido. Apenas esqueça o endinheirado, que já é um termo complicado até mesmo em termos de blog. Isso definitivamente não acontece nas fanfics, a menos que você encare isso como uma fase dentro de algo muito maior, como o de viver da escrita.
Então, vamos lá.
Reconhecimento aqui e agora!
A expressão de uma fanfic é escrita, assim como os blogs são, pelo menos a princípio. Embora a blogsfera conte com os recursos multimídia, tudo passa pela habilidade com as palavras.
A habilidade para lidar com elas depende de prática e esforço. Treino, pra falar a verdade. Mas nem todo mundo tem disposição para lidar com esse tipo de coisa. Não tem a paciência e nem percepção de que a prática leva ao aperfeiçoamento.
Resultado? Quer que a primeira coisa que saia dos seu teclado tenha reconhecimento instantâneo, repleto de elogios sinceros ao seu talento e ideias.
Para as fics isso significa milhares de reviews do tipo “aaaai amei!!!! Continua plix!!!111”
Nos blogs, qualquer comentário que massageie o ego carente e apressado de quem sequer pensou ainda em um segundo post em sua carreira de blogueiro em ascensão, rumo aos milhares de dólares do adsense. Afinal ele tem muito mais a fazer do que se preocupar com linguagem, fluidez e legibilidade do texto. Isso é coisa de leitor chato.
E quem espera os confetes são aqueles cuja estrutura textual sequer seguem o princípio-meio-fim, ou em casos mais graves sequer escreve algo parecido com a língua portuguesa.
O Hype
Falar sobre o que seria o último grito da moda. É o método universal de quem quer atrair a atenção do público: escrever não necessariamente aquilo que você gosta e entende o bastante para dissertar, mas sim aquilo que está no olho do furacão, ou então os eternos assuntos de paraquedistas.
Nos blogs, certamente Big Brother Brasil, como descobrir quem te bloqueou no MSN, como ter o convite da última novidade do Google, ter acesso ao álbum de fotos de alguém que pôs o cadeado no perfil do Orkut, a receita para um blog de sucesso em simples passos, ou o método revolucionário para passar em concursos públicos.
Em sites de fanfics, pelo menos nos que propiciam uma maior interação entre os usuários, encontramos os autores que, ávidos pela atenção alheia se dispõem a escrever em fandons e gêneros com os quais sequer tem a mínima intimidade.
Os símbolos mais atuais disso são Crepúsculo, Tokio Hotel, bandas de JRock, Naruto, animes em geral e gêneros yaoi ou yuri.
Isso não quer dizer que não haja ficwriters que realmente gostam do assunto, mas basta ver como certos assuntos deixam de figurar na lista de incluídos recentemente. É aí que você descobre quem são os fãs de verdade.
Plágio: praga universal
Tá pensando que é só na blogsfera que tem essa praga? Na-na-ni-na-não.
Os escritores de fanfics também sofrem com isso, especialmente os que escrevem de algum tema que faça sucesso. Moderadores e staff de sites acabam tendo um grande trabalho em checar denúncias de plágio, seja da inspiração muito mal disfarçada, ou do simples Crtl+C e Ctrl+V.
A cara de pau existe até mesmo para a simples intenção de ter algum prestígio, ou fama de ficwriter.
Pior ainda: blogueiro ainda pode processar. Ficwriter nem isso.
Criatividade, senhores! Use o cérebro!
A perseguição
- Vc eh bobo, feio e tem cara de melaum! Ti odeio!!!111
Assim como os stalkers e os trolls da blogsfera, os escritores de fics estão expostos ao mesmo risco. Pior: inveja por visibilidade, por um sucesso dentro de fandons que sequer pode ser traduzido em dinheiro. Significa perseguição por passatempo.
Entre uma das modalidades do ódio na ficção estão as ripagens: uma técnica de humilhação pública que consiste em postar o texto original e críticas pesadas. Uma análise destrutiva.
Existe até mesmo associações de ripagem, que constituem blogs próprios ou atuam dentro dos sites de fanfics, publicando as obras de arte em perfis de usuários. Alguns defendem a ripagem como forma de os adeptos do reconhecimento-aqui-e-agora analfabetos se tocarem. Claro que quando forem vítimas da mesma franca análise, vão acabar mudando de opinião.
O bloqueio criativo
Acha que são só escritores e poetas famosos que sofrem com o branco da tela do computador?
Saiba que os ficwriters e blogueiros e escritores de gaveta sofrem do mesmo mal. A maldita síndrome do cursor piscando na tela em branco do painel de controle/Live Writer/Word/Notepad, ou da folha vazia do caderno atormenta a vida de muita gente.
Contra esse não tem muito jeito. Quem gosta e/ou vive da escrita acaba irremediavelmente passando por isso. É o mais prosaico dos males. Todo mundo um dia acaba passando por isso, seja na hora da redação do vestibular, enquanto escreve sua monografia, o post da sua vida ou o capítulo mega blaster em que o personagem da sua história precisa fazer algo importante.
Contra isso, sente-se, tente se distrair ou em último caso, reze.
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6 comentários:
Como blogueira ativa e ficwriter aposentada, adorei esse paralelo entre as duas atividades! =D
Muito bom mesmo! ^^
Olá,
Incrivel como identifiquei teus itens Plágios e a perseguição como fatos tão correntes ultimamente. Até escrevi algo a respeito.
Muito bom teu artigo..
Abraço
Uia..
Hehe..
Como ficwriter estou dando um tempo (se bem que nem comecei de verdade) e de blogueiro to tentando achar um rumo.
Realmente, se você quer ser reconhecimento instantâneo, acaba tendo que recorrer aos métodos excusos descritos no post. Mas eu sou perseverante (e honesto) e prefiro ir pelo caminho certo (mesmo que seja mais longo e muitas vezes doloroso).
Ulalá! Que paralelo interessante você traçou aqui. Uma dica que serve para mim: Quando eu tenho um bloqueio assim, simplesmente largo tudo que estou fazendo, vou ouvir um rock ou ler alguns quadrinhos, ou seja, faço coisas que gosto. Assim minha cabeça fica livre e pronta para encarar o monstro!
Escrever fics além de ter o domínio da língua portuguesa é ter inspiração...rsrs
Vc quer escrever? Escreva! De primeira vai sair uma merda, ou não... não custa tentar...rsrs
Mas plágio, never!
Eu escrevi algumas fics (provavelmente muito ruins, admito), gosto de blogar e sou leitora assídua de ambos. Mas até hoje não entendo como a cabeça de uns indivíduos funciona pra se tornar stalker ou plagiador. Eu, particularmente me sinto mal se escrever um texto e quando for ler a publicação, perceber que não coloquei a fonta de algo que peguei noutro lugar.
Também não entendo quem gosta de pegar carona no que está na moda pra ter fama. Talvez eu seja muito antisocial nesse aspecto.
Mas sua ligação entre os dois foi muito interessante! Acho que não existe nada pior do que a sensação do branco na tela ou no papel na hora de escrever.
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