Não transforme cultura e educação em métodos de tortura!
Nunca antes na história desse país, tanto se falou estudos. Hoje muito se fala em aprender a ler e escrever. Não somente no sentido primário da expressão. É que o exercício da leitura e escrita nunca esteve tão em alta, especialmente quando ele é o diferencial em concursos públicos e vestibulares.
Surgiram fórmulas e mais fórmulas para ler e escrever melhor, sobre regras de concisão para ter um texto direto e limpo, com capacidade de argumentação e o que é mais básico: início, meio e fim.
Com tantas regras e necessidades, simplesmente escrever tornou-se um saber necessário, mas também algo tedioso e burocrático. Poucas pessoas veem prazer na escrita, como também poucos consideram a leitura algo mais do que obrigatório. E alguns chegam ao ponto de transformar qualquer prática diferente disso em coisa para vagabundos.
Ficção não chega nem perto do mérito ou valor útil de um texto discursivo. Crônicas? Só as dos autores que escrevem para a Veja ou para grandes jornais. Literatura? Somente o que é clássico - lista de recomendação perpétua dos professores - ou da moda, para o caso de um deles cair em alguma lista de recomendados… e sem esquecer também as apostilas concurseiras que se espalham por aí como pragas.
Aliás, está aí uma boa questão para o suposto fim do mundo em 2012. A proliferação dessas apostilas e métodos rápidos para estudo de vestibulares e concursos públicos devem fazer parte dos planos do Criador para o Apocalipse.
3º Guerra Mundial: Concurseiros e vestibulandos revoltados atacam sedes de governo após vazamento de prova importante.
Vivemos em uma época onde as formas aceitáveis de cultura devem constar nos vestibulares das universidades top de linha, ou programadas para os grandes concursos públicos do país. Tudo que está fora disso é considerado inútil, desnecessário. E parece que não há mais o que saber além disso.
Mas nem tudo o que há para saber está nas apostilas, assim como os estudos devem não ser apenas uma obrigação, mas sim prazer.
Nem toda fonte de cultura está numa dessas apostilas, nem tudo que é útil deve ser uma obrigação nem toda fonte de saber um tormento.
Literatura e escrita são bem mais que torturas necessárias para ir adiante nos estudos, mas também uma fonte de lazer. Por favor! Não transformem educação e cultura em método de tortura!
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1 Comentário:
Acabei de tuitar minha opinião... Hehehe!
É triste viver num mundo em que leitura é um fardo, não um passatempo, uma diversão. Muita gente não sai do livro de teoria.
Nem peço grandes sagas épicas como O Senhor dos Anéis ou A Busca do Graal (do Bernard Cornwell, que super recomendo!), porque, né? É pedir demais que se dediquem a 500 páginas por volume.
Mas os quadrinhos trazem muita informação relevante, adicionam muito à cultura e são, de certa forma, de fácil absorção por serem bastate visuais e mesmo eles - talvez principalmente eles - são vistos com maus olhos.
O Brasil não tem uma cultura de leitura, não se estimulam crianças a ler por diversão. Isso até dificulta na hora de ler por obrigação.
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