quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Livros na fogueira? Esse tempo não passou.

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image Se Aliens são aqueles que fogem das regras sobre normalidade, há muito mais deles entre entre nós do que se pode supor. Ser diferente nesse mundo de aparente normalidade é muito fácil, mas também uma prova de paciência.

Ontem tive a grata surpresa de um certo post meu ter sido aceito no site do Observatório da Imprensa. Um post irônico sobre alienação como escolha própria, um desabafo pessoal. Isso me fez ver que o problema é bem maior do que se pensa.

Estudo e reflexões caíram em desuso. Tudo aquilo que envolva pensamento abstrato é obsoleto. Para que usar a imaginação quando os apelos audiovisuais atende a tudo aquilo que se possa querer? Quem faz o esforço de pensar por vontade própria, acaba levando a fama.

image Oi? Tá falando comigo?

E, não estou falando mal de séries, novelas, filmes e coisas do gênero. Apenas digo que as pessoas estão sofrendo de preguiça mental. Imaginação e pensamento demandam energia demais em uma sociedade que vive em função de coisas que evitem a fadiga, como diz o grande filósofo.

Mais do que a praticidade do dia dia, que favorece o sedentarismo, mas aquilo que se chama de fadiga mental.

Aquele que de alguma forma foge desse padrão acaba sendo taxado. Gostar de ler pode ser um crime. Afinal, apenas as apostilas dos concurseiros tem valor, mesmo que o livro que esteja carregando seja literatura. No mais, tudo que diga respeito à ficção literária e não seja moda, é perda de tempo.

É desperdiçar sinapses com coisas sem utilidade. Por que gastar energia por pouca coisa?

image

Utilidade é um conceito bastante relativo... definitivamente.  E quem diria que livros seria coisa de vagabundos?

E qual será o futuro? Talvez não seja tão difícil imaginar. Você conhece o livro (ou o filme) Fahrenheit 451 ?

image 451 graus Farenheit, ou 233 graus Celsius, é a temperatura de combustão do papel comum. Logo, dos livros. E os livros são os instrumentos que "incendeiam" as ideias. A sociedade de Farenheit 451, porém, é uma sociedade que preza a paz acima de tudo.

O caminho da paz, para ela, passa por dois elementos fundamentais: um, material, o outro, espiritual. Materialmente, trata-se de suprir as necessidades básicas dos cidadãos. Nessa sociedade afluente, moderna e organizada, todos vivem em casas confortáveis, vestem-se e se alimentam satisfatoriamente, têm empregos e contam, para se entreter, com úbiquas telas de TV, por onde participam interminavelmente de programas interativos (o livro foi escrito nos anos 40, o que o torna terrivelmente premonitório).

Porém a satisfação material não garante a paz social se houver insatisfação espiritual. Isto é, se existirem a imaginação, a fantasia, os questionamentos, as alternativas, as dúvidas. Tudo aquilo de que os livros são depositários. A história, a literatura, a filosofia, a poesia, a religião, a política, as biografias, tornam-se uma ameaça à uniformidade passiva e satisfeita. Os livros são, portanto, todos proibidos.

Porém proibir os livros, por si só, não elimina os livros já publicados. Para isso há os bombeiros, agentes especializados em localizar livros escondidos e em queimá-los in loco (não há necessidade de agentes para combater incêndios, pois as casas, ao contrário das mentes, são então à prova de fogo). Felizmente, como demonstra o surpreendente final, bombeiros com lança-chamas não podem queimar a memória.

(Retirado de Saraiva.com)

Detalhe: estamos falando de um livro escrito na década de 1950. Escrito por Ray Bradbury e publicado pela primeira vez em 1953, mas cujo conceito começou a ser esboçado em 1947. Veja, há quanto tempo esse tipo de pensamento já está entre nós?

Premonitório, não?

É o que nos reserva o futuro.

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4 comentários:

Fernando disse...

As idéias do livro realmente são bem proféticas e metafóricas, mas ainda tenho alguma esperança na humanidade. :)

Lucas P. F. de Carvalho - Psick disse...

Concordo com você. Eu acho que a leitura deveria ser mais incentivada, principalmente em um país aonde é raro encontrar adolescentes ou até mesmo adultos que escrevam bem e com coerência, ler ajudaria e muito nesse caso.
Embora conteúdo audiovisual seja uma opção excelente para o aprendizado. As pessoas precisavam se desligar um pouco do entretenimento fácil e procurar exercitar um pouco mais a mente.

uhugalera disse...

Hi, Manu...

Lembro-me que, aos 9/10 anos, quando comecei a me interessar por literatura, e a ler todas as grandes obras ao meu alcance, passei a ser chamado de doido, por esta, digamos, mania, tão incomum para a idade.

Ainda bem que, como desde pequeno tenho temperamento forte, não aceitei a pressão e, ainda hoje, tenho o saudável hábito de ler ao menos 2 livros por semana.

Imaginou se esta pequena historinha fosse uma realidade na vida de todos?!...

Agora, sim, LI e GOSTEI! rsrs

[]'s @inaciorolim

Eric disse...

Pera, pera, pera....isso quer dizer que...os trolls são moldados a quase 60 anos? o.O

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