Há diferenças entre liberdade e libertinagem, ok?
Creio que todos sabem da importância do que chamamos de liberdade de expressão. Muito provavelmente todos alardeiam tal liberdade, afinal em um país com histórico de ditadura, cada pequena liberdade faz a diferença.
Um direito fundamental e que vive sendo usado para outros fins. Sob seu pretexto, atos de imaturidade e provocação são propagados. Não que seja crime, mas pelo menos é de mau gosto, pra não dizer outra coisa.
Tomo como exemplo algo que já usei no post anterior. O famigerado twittie do Rafinha Bastos, do CQC.
Não é a primeira vez que acontece algo desse gênero. Danillo Gentilli cometeu a mesma gafe (pra não falar coisa pior). Isso me faz pensar que realmente não é a tôa que o programa apresentado por eles se chama “Custe o que Custar”.
Não escondo o fato de que não sou fã do CQC. Não que não haja méritos naquilo que fazem, mas simplesmente não gosto. Acho as piadas forçadas, os quadros exagerados e sem graça, mas até aí é uma questão de gosto pessoal. Eu, como telespectadora não vejo uma razão para o programa ter se tornado febre, mas é uma questão de opinião. Porém, a falta de respeito aqui foi a olhos vistos, e fez com que o seu Custe o que Custar me valesse a paciência.
Se a sua proposta é um humor diferenciado, concordo com o texto escrito no blog Cena Aberta:
CQC é um chuchu na televisão, um programa que estreou com a proposta de ser um humor diferenciado, “inteligente”, mas que no fundo não tem nada disso.
A ideia de ser considerado inteligente ou politizado foi só para se diferenciar do Pânico na TV. Pura estratégia de marketing, a besteira é a mesma.
Isto é apenas a opinião de uma telespectadora quase desistindo da TV aberta.
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4 comentários:
Há muito perdi o gosto pelo tipo de humor que eles fazem. Creio que foi inovador no início quando havia o tal Repórter inexperiente. Era um humor diferente, mas aos poucos a fórmula se desgastou e estamos vendo uma mistura de Zorra Total com Casseta e Planeta. O nível já está no do Pânico, infelizmente.
Olá Emanuelle,
Você não acha que está sendo um pouco exagerada no seu posicionamento?
Acho que seu primeiro erro é associar as declarações pessoais dos membros Danilo Gentilli e Rafael Bastos em seus micro-blogs próprios à posição do programa CQC. Uma coisa não é necessariamente a outra. Se Rafael Bastos, membro de uma religião (judaismo) onde o suicídio é altamente repudiado, dá um declaração pessoal, ora, você pode discordar, mas isso não tem nada a ver com a qualidade do CQC.
A mesma coisa foi a piada do Danilo que, apesar de inconsequente, teve muito mais a ver com "ficar famoso e pegar uma loira" do que com "macaco"... Mas isso é a minha interpretação.
O CQC é uma das poucas (pra ser muito otimista) coisas instigantes da TV nacional (aberta ou fechada). O humor é uma ótima arma contra posições radicalizadas, se aproximar de quem normalmente nem debate com a premissa de só fazer rir, conseguindo ir muito além.
Sou fã do CQC pela iniciativa e reconheço que não é um programa perfeito. Ora, isso existe? Nossa função como telespectador é justamente criticar construtivamentee, se não concorda, ajudar a aprimorar o que está errado. O que, penso, não contribui em nada é o radicalismo do tipo "isso é um lixo e não tem salvação".
Pense nisso. Se existe diferença entre liberdade e libertinagem, a falta de liberdade é muito mais grave do que o uso eventual da libertinagem. Erros pontuais não podem interferir na consolidação da liberdade democrática.
beijos
Ennio Rodrigues
Estudante de Jornalismo - UFMG
enniohrs@gmail.com
H.R: Agradeço muito o seu comentário. Ele é pertinente e tem fundamento.
Com certeza, um twettie pessoal é bem diferente de um posicionamento de um programa inteiro, mas há uma relação, ainda que pequena: Há uma linha tênue ao que pessoal e público quando se é famoso, especialmente nas mídias sociais.
Realmente não posso negar que o CQC seja instigante. Sua proposta é boa, mas ela peca a partir do momento em que seu humor deixa de ser uma provocação e passa a ser baixo, como ele já o foi em vários momentos. Há diferenças significativas entre humor e falta de respeito embora a linha entre uma coisa e outra seja tênue. E eles o fazem de forma consciente e faz com que o isso passe longe do que seja citar um programa como ruim ou sem salvação, mesmo porque sendo assim, eles sabem muito bem o que deve ser mudado.
E como jornalista e blogueira prezo muito essa liberdade, mas também prezo o bom senso com o qual ela é usada. Não sou contra a livre expressão e nem nunca serei. Mas há quem ache que ela serve somente ao propósito de falar m**** (perdão da palavra) sem sequer se importar com as conseqüências daquilo que diz. Tem gente crendo que ela serve somente ao direito de te xingar.
As pessoas ainda não tem noção do que são capazes de fazer com esse direito e esse poder, ou simplesmente usam para ferir, de forma deliberada. Quando escrevo esse texto falo APENAS nesse tipo de bom senso.
Obrigada por participar! Beijos!
Só assisti CQC uma vez, mas sempre ouço familiares e amigos comentando as matérias. Eu não achei graça no humor que eles fizeram, pois frequentemente eles apresentam matérias ridicularizando pessoas para fazer os telespectadores rirem. Isso pra mim não é mais liberdade de expressão, é desrespeito. Existe humor muito mais inteligente e engraçado do que diminuir alguém pra divertir outras pessoas.
Infelizmente tem muita gente na internet só querendo causar. Pode até ser opinião do Bastos que suicídio é algo inaceitável, mas ele, especialmente por ser uma pessoa pública, deveria ter o mínimo de respeito pelo ser humano que não foi tão afortunado quanto ele a ponto de preferir dar fim a vida, e pela família, que está passando por um momento tão sofrido. Aposto que se o melhor amigo dele tivesse se suicidado, ele não teria feito piada sobre isso.
É preciso saber expressar a própria opinião sem ofender outras pessoas. É essa a linha que está sendo frequentemente ultrapassada.
No início do post você disse que não chega a ser crime. Preste atenção, que tem muitos casos que são sim. Infelizmente as leis não são muito bem seguidas nesse País, e quando se trata de agressões, provocações, ofensas (e tantas maldades mais) pela internet, as autoridades demoram a levar a sério. Especialmente se os responsáveis usam nomes falsos. Esse pequeno detalhe faz muita gente se safar, mas não deixa de ser crime, na minha opinião.
Parabéns pela iniciativa. E desculpe pelo flood de comentários.
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