domingo, 1 de março de 2009

Utilidade – questão de personalidade e reflexão

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Um questionamento muito válido, quando temos a idéia de que agora nós temos um mundo de possibilidades.

Se antes, vivíamos restritos à TV, livros, revistas, jornais, e rádio como meios de informação, a Internet abriu um campo bastante amplo de opções. Agora, temos jogos online, blogs, fotologs e sites com os mais diversos conteúdos, dispostos para nós, internautas vorazes – ou nem tanto – por informação com simples cliques e batuques de teclado no pai google.

E sim, bastando esses simples procedimentos temos um mundo aos nossos pés... ou ao alcance de nossa tela. Com a inovação de cada usuário poder dispor do conteúdo da forma que deseja. Podemos viver as vinte e quatro horas do nosso dia restritos a um conteúdo ou mais... e a partir disso teremos a pergunta? Qual a utilidade disso para sua vida?


Na verdade, ouvimos essa pergunta a todo instante, na voz dos outros ou da nossa. Qual a utilidade do que você acessa? Do que você ouve? Daquilo que lê, daquilo que escreve?

Utilidade? Talvez seja como ética: individual e não exatamente coletiva. Aquilo que é útil a uma pessoa, pode não ser a qualquer outra.

Faço dezenas de coisas que podem não ser úteis a alguém, ou que tenha sua serventia como algo questionável. Leio muito, escrevo demais, passo um tempo considerável com fones de ouvido, ou vendo televisão, especialmente telenovelas. Aceito esses questionamentos e respondo sempre que posso. Só não garanto o teor de minha resposta, que pode variar levando em consideração o meu humor e a educação alheia.

As pessoas pensam que utilidade se mede por ganho financeiro. Se você pode ganhar dinheiro com isso, será útil. Se for popular, ou seja, se todos fazem, também será útil. Se os intelectuais acham de bom tom, igualmente. Novamente aqueles padrões, que existem a respeito de tudo, e moldam comportamentos e opiniões. Irritamentemente parecidos.

Qual a utilidade do fuxico sobre os artistas ou pseudo-celebridades, dos livros de auto-ajuda que mais parecem manuais? E dos comentários futebolísticos do Galvão Bueno? Ou do Big Brother?

Posso não gostar deles, posso achar coisas vazias, mas não sou mal educada com as pessoas que gostam e consomem esse tipo de informação. Não me acho superior por isso, ou por saber meia dúzia de palavras que pareçam mais sofisticadas. Não sou a dona da verdade, e nem acho que qualquer pessoa o seja.

Não gosto quando me questionam sobre a utilidade daquilo que faço. Nem tudo o que escrevo pode ser comercializado, nem todas as músicas que ouço podem me definir em um estilo, nem aquilo que assisto na TV pode dizer quem sou. Sou bem mais que um molde e daquilo que esperam de alguém.

As pessoas deveriam se preocupar também em ser mais do que moldes ditados por quem diz ser opinião pública. Menos influenciáveis, menos dados a modismos. Mais preocupados em serem aquilo que verdadeiramente são e não o que os outros pensam.

Pode parecer muito dúbio ouvir ou ler isso de alguém que prega uma mídia mais inteligente, menos programas que façam o telespectador de idiota, menos baixaria ou algo assim. Pode parecer, sim que eu esteja traindo o que escrevo neste blog. Apenas pode, mas não é o caso.

Apenas pense nas mensagens massivas e nas opiniões alheias que você toma como suas, nas crenças, e se as aceita como tal. Se por acaso sente algo errado aí, pode ser que tenha de tomar uma atitude. Refletir pode ser uma delas.
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Postado por Emanuelle Najjar, jornalista
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