domingo, 22 de março de 2009

21 de março: Dia Internacional da Síndrome de Down

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Dia 21 de março foi o dia internacional da Síndrome de Down. Não sei se alguém aqui se deu conta disso apenas depois de assistir algum telejornal, mas nunca é tarde pra saber de algo novo, não é?

Mas, como as pessoas em geral só se dão conta das coisas quando a TV lhe dá o foco, - dando a impressão de que um assunto não existem enquanto ela não o aborda - nada como essa época propícia para falarmos disso.


Pra quem não sabe, a síndrome de down é uma alteração genética – a trissomia de um par de cromossomos, nesse caso o par 21 - que acarreta um atraso do desenvolvimento, tanto motor quanto de funções mentais. Números dizem que, para cada 700 bebês, um deles tem Down. No Brasil, as estatísticas apontam mais de 100 mil pessoas, entre crianças e adultos.

Houve uma época que os portadores de síndrome de down eram considerados um fardo para a família, ou tratados como retardados. Por puro desconhecimento, eles passavam uma vida inteira protegidos em casa, sem acesso à escola e outras oportunidades consideradas rotineiras, passando os anos numa eterna infância.

Tendo em vista esse passado, há muito o que comemorar. As escolas de hoje estão adotando a política de inclusão, acolhendo crianças com down e alunos especiais, e possuirão chances reais de alcançar o curso superior, se estimuladas. Já há também acesso ao mercado de trabalho e o assunto simplesmente é discutido – coisa que antes não acontecia. Tivemos até uma telenovela de grande audiência para falar do assunto. Muita gente se encantou com Joana Morcazel e se sensibilizou ao ver na ficção as dificuldades enfrentadas na vida real, mostradas em “Páginas da Vida”, de Manoel Carlos.

Mas, como nem tudo é perfeito, ainda vemos resquícios da imagem antiga. Piadinhas, ou o simples descaso de quem ache que essas pessoas devam ser isoladas. “Martas” existem, e estão em todos os lugares. Pessoas que não toleram aquilo que é diferente, que procuram apenas o que é dito como perfeito que não são uma maioria. Também há quem prefira fingir que pessoas especiais não existem, como se fossem apenas um problema incômodo. Essas não são maioria, mas não podemos dizer que seja uma exceção.

E perfeição está muito longe de apenas a capacidade intelectual ou de um corpo são, como muitos podem achar. Muitos acham que “a maioria” é o certo, ou o normal. Esquecem justamente que sem diferenças, não existiria o que chamam de normalidade. E, ser diferente é ser absolutamente normal.

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Postado por Emanuelle Najjar, jornalista
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