sábado, 10 de dezembro de 2011

Ale Rocha: no fim, tudo que realmente importa é aquilo que se constrói

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Dentre todas as razões pelas quais alguém volta a escrever em um blog depois de um longo tempo de ausência, eu não gostaria de ter voltado para produzir esse texto.

Não, não se trata de uma despedida ao Limão, mas não deixa de ser uma despedida. Nesse caso, ela vai a alguém que eu considerava muito, do qual eu realmente gostava, alguém importante pra mim e fez a ideia de relações virtuais não parecerem assim tão frias. Estou falando de Ale Rocha.

 

Quem navega na internet, usa o Twitter com regularidade ou simplesmente curte TV a ponto de ir mais longe nesse gosto, sabe de quem se trata. Ale Rocha, 34 anos, é criador do blog Poltrona e também colunista do portal Yahoo!, que faleceu no dia 6 de dezembro em decorrência de uma infecção após ser submetido a um transplante de pulmão.

A notícia me pegou de surpresa. Claro, não era segredo que Ale convivia com o diagnóstico de hipertensão pulmonar e estava na fila do transplante há dois anos, mas o desfecho não é o tipo de coisa pela qual se espera. Muito menos poderia ser condizente ao cara cheio de força que demonstrava ser, que lutava para ter mais qualidade de vida, pela possibilidade de brincar com seu filho e vê-lo  crescer. Mas passei algum tempo longe do Twitter, e fiquei sabendo de forma ocasional, um acidente de percurso. Não soube da chance do transplante, muito menos de outro tipo de notícia.

Infelizmente não tive a chance de conhecê-lo pessoalmente, mas curti muito os seus textos, os tuites, as DMs, as trocas de impressões de respectivos textos e acima de tudo os incentivos ocasionais nessas mensagens. Curti muito a personalidade, o gosto e as sugestões que ele dava, dirigidas a todos ou não.

 

 

No fim não aconteceu da forma como queríamos, como as pessoas esperavam, como todos torciam, mas de qualquer modo fica tudo que ele deixou e a gratidão por tudo que ele possa ter oferecido, mesmo sem saber. Isso vai desde as lições dignas da profissão a respeito de ética e apuração – independente de um nicho onde o jornalismo básico parece ter ficado para trás – até as lições de força frente à adversidade. Porque no fim, importa é o que construímos e  deixamos para que as pessoas se lembrem, independente do tempo que a nossa existência dure.

Se depender disso, Ale conseguiu muito mais.

Saudades, cara. Muita saudade.

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sábado, 5 de novembro de 2011

Jogos Pan-Americanos 2011: apenas mais um capítulo do pretenso duelo de titãs?

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Quem acompanha eventos esportivos pela TV aberta teve recentemente a chance de ver um evento de grande porte em uma emissora que não era a Vênus Platinada. Estamos falando dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara 2011, transmitido pela Record: aquele evento que é considerado por muitos países uma preparação antes dos Jogos Olímpicos.

Importante, não é mesmo? Mas então adivinhe o que ficou em primeiro plano: um novo capítulo da briga entre emissoras e nada mais.

Citando maiores detalhes a respeito da transmissão da Record, uma reclamação comum dos telespectadores foi o tom ufanista dado aos esportes transmitidos e também com a dificuldade em saber se o que estava sendo transmitido era ao vivo ou gravado. Não houve muita simpatia por parte dos telespectadores, talvez em uma resposta ao tom naturalmente adotado pela emissora do bispo que tem como rotina encarar qualquer espécie de crítica ou sugestão como uma manifestação típica de má vontade. Compreensível tendo em vista que até mesmo uma tática de guerrilha envolvendo perfis falsos em redes sociais foi adotada para defender a transmissão contra todo e qualquer crítica de adoradores do inimigo. Ok, abortada antes que se tornasse mais sério, porém nada a ser tido como atitude louvável.

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O mesmo deve ser dita da Globo, que se recusou a solicitar imagens para ter o que falar a respeito dos jogos em sua programação. Aliás, durante alguns dias, o evento simplesmente foi ignorado, como se nada estivesse acontecendo além de seus domínios. Um erro crasso de qualquer meio de comunicação e que faz qualquer um pensar a respeito da postura a ser adotada durante os Jogos Olímpicos, também a cargo da Record.

Aliás, talvez o jeito seja realmente temer. Para o bem do telespectador, que ambas saibam se comportar quando chegar a hora daquilo que está muito além de uma rixa francamente idiota. Algo me diz que as Olimpíadas poderão ser o que chamamos de divisor de águas. Agora resta esperar e descobrir se isso acontecerá para o bem ou para o mal.

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sábado, 10 de setembro de 2011

O 11 de setembro dez anos depois: o que mudou?

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Há dez anos o mundo parou para assistir ao vivo a aquilo que todos julgariam inimaginável talvez até mesmo para as mentes mais férteis. Dezenove terroristas do grupo extremista al-Qaeda lançaram quatro aviões em um destino sem precedentes: dois aviões comerciais lançadas contra as torres gêmeas do World Trade Center, um avião se chocando contra o Pentágono e outro que caiu em um campo aberto da Pensilvânia. Um atentado de proporções gigantescas no solo de uma superpotência julgada acima do bem e do mal e deixou muito mais do que seus cerca de 3.000 mortos.

 

Sob comando de Osama Bin Laden, os ataques deixaram um rastro de destruição, medo e mudanças muito mais profundas do que se poderia supor. Uma década depois e elas podem ser sentidas até hoje: duas guerras com um saldo de vítimas muito maior que o imaginável, longas e onerosas a ponto de colocar uma superpotência econômica em crise; quedas de um governo clandestino como era o caso do Talibã que dominava o Afeganistão e também a queda de um ditador, como aconteceu a Saddam Hussein, no Iraque. O 11 de setembro também deu força a um mesquinho preconceito religioso e incitou crimes de ódio; colocou uma nação inteira sob estresse pós-traumático e disposta a viver restringindo sua própria liberdade em nome de segurança; e claro, a morte de seu próprio mentor, afinal a caçada em busca por Osama terminou em uma ocasião quase propícia.


Está muito claro que, se o mundo mudou, essa mudança não necessariamente aconteceu para melhor. Agora, nesse aniversário macabro ressurgirão todas as memórias, desde as mais analíticas até as sentimentais: a reflexão de que não houve grande avanço para lugar nenhum. Houve mais males do que bens, e talvez fosse mesmo impossível mesmo esperar que este saldo fosse além da resiliência. É complicado esperar por um mundo melhor ou por um pouco de alívio quando há muito mais do que isso em jogo e quando a ideia de paz parece algo muito mais distante.


Não dá para querer que o tempo volte ou esperar que as coisas sejam as mesmas. A percepção mudou, os ferimentos e cicatrizes ficaram assim como os traumas. Como não é exatamente possível compreender a mecânica do ódio que leva a alguém a cometer tamanha barbárie, resta saber até que ponto é possível aprender com as piores tragédias: e para isso talvez dez anos continue sendo muito pouco para compreender.

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sábado, 20 de agosto de 2011

Chaves: A merecida homenagem ao soldado para todas as batalhas

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O SBT está fazendo aniversário: o fato já é mais do que conhecido, alardeado e celebrado, mas adivinha quem é o grande homenageado nesta festa? O seu velho coringa, jogador de todas as horas e soldado para todas as batalhas: Chaves.

 

Nas últimas semanas, quem teve a oportunidade de acompanhar os programas especiais do SBT se deu conta de quantas homenagens estão sendo reservadas ao menino de rua e suas aventuras na vila suburbana. Episódios perdidos sendo resgatados, episódios sendo encenados por elenco brasileiro, atores sendo procurados e entrevistados para reforçar uma memoria mais do que devida. Homenageá-los é apenas um reconhecimento justo por todos os serviços prestados e por todos os milagres que sua presença é capaz de ocasionar.

 

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Sim, milagres: Estamos falando de uma atração que desde que entrou no ar só deu alegrias ao SBT, independente de tudo que possa ser dito a seu respeito. Trash, ingênuo e com um humor clichê, “El Chavo del Ocho” converteu-se em um sucesso que o faz merecer ser objeto de estudo. Aquilo que poderia ser uma atração datada com desfecho previsto com o fim de sua produção original, nunca teve um fim e provavelmente nunca terá. Mesmo possuindo características que jamais seriam permitidas em um programa dos tempos atuais, permanece como absoluto na memória afetiva de seu público, ganhando status de cult e conquistando cada vez mais público, garantindo uma renovação de fãs que parece inacreditável.

 

Além de ser um sucesso indiscutível, também tornou-se a marca registrada da emissora que o veicula. É praticamente impossível pensar em SBT sem lembrar-se de Chaves. Uma lembrança mais do que justa tendo em vista que o programa circulou em quase todos os horários disponíveis em sua grade volúvel e bipolar. Seja com ordens de simplesmente tapar buraco ou disputar de igual para igual com algum adversário nos números, Chaves transita e prossegue fazendo história por atingir seus objetivos e brigando com os gigantes sem qualquer problema em supostamente ser nanico. Segue com sua fotografia pobre, seus bordões imortais e memórias impagáveis de infância terna, sem se importar se todas as piadas já estejam decoradas a ponto de repetí-las enquanto as ouvimos em mais um reprise.

 

 

  Ainda gostamos de ouvir o “foi sem querer querendo” de Chaves, de ver o Seu Madruga fugindo das cobranças de aluguel do Senhor Barriga e de todo amor de Dona Clotilde, do carteiro Jaiminho tentando a todo custo evitar a fadiga e suas lembranças de Tagamandápio ou dos pedidos incessantes de Quico atrás de sua bola quadrada. Gostamos e muito provavelmente nunca deixaremos de gostar. Talvez seja melhor nem tentar entender a razão de todo esse amor: muito melhor desfrutar disso enquanto pudermos, enquanto seus atores permanecem vivos e suas fitas antigas ainda são capazes de contar sempre a mesma história com ares de nostalgia.

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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Rádio Record: Apenas o segundo capítulo ou o desfecho para uma triste radionovela?

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Rádio Record SP
 
Para quem gosta de rádios ou quem trabalha neste tipo de veículo, os últimos dias não foram de boas notícias. Como pode lembrar, aconteceu uma reviravolta dentro da histórica Rádio Record cujas proporções estavam longe de ser agradáveis, com a demissão de todos os chamados profissionais do microfone em função de uma reestruturação que "visava atender as expectativas do AM brasileiro". Junto com estes rumores vieram também as suspeitas de que a nova programação, composta por música e boletins jornalísticos privilegiaria programas religiosos.
 
Bom, de acordo com informações do site Comunique-se, os temores se concretizaram.
 

Após demissões em massa, Rádio Record dará espaço para programas religiosos
Anderson Scardoelli

Depois de demitir cerca de 90% de seus funcionários na última sexta-feira (5/8) e deixar a programação apenas com músicas, sem a presença de locutores, a Rádio Record de São Paulo sofrerá outra mudança em breve. De acordo com a apuração do Comunique-se, o que já foi cogitado por blogs e sites, a frequência da emissora (1000 AM) dará espaço para atrações 100% religiosas, mantidas pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).
Fundada há 80 anos a Rádio Record tinha na sua equipe de comunicadores profissionais que tiveram passagens por outras emissoras do dial e até mesmo por canais televisivos. Com a mudança da programação, foram demitidos, entre outros, os jornalistas Leão Lobo, Juarez Soares, Paulo Roberto Martins e Gil Gomes e os apresentadores Paulo Barboza, João Ferreira e Kaká Siqueira.
Outro que não permaneceu na emissora com as mudanças, o coordenador de jornalismo Anderson França criticou a decisão de fazer da Rádio Record um espaço de cunho religioso. “Estão chacinando 80 anos de história de uma rádio importantíssima para o estado de São Paulo”, recriminou o jornalista.

O cenário está longe de ser dos melhores e não se trata somente da Rádio Record, mas também de outras emissoras. No dia 9 de agosto, o colunista Flávio Ricco escreveu um texto muito interessante sobre o assunto, intitulado Demissão na Record escancara situação difícil nas rádios brasileiras onde expôs um panorama nada animador.

 

[…]Não se trata de um discurso corporativista, mas uma triste constatação: hoje, para trabalhar em rádio, é preciso ser padre ou pastor. Radialista ou jornalista não serve mais. Problemas de recepção à parte, os investimentos comerciais diminuíram na mesma ordem em que as programações vieram a ser ocupadas por pessoas das mais diferentes crenças e religiões.
Na AM, dos prefixos conhecidos da capital de São Paulo, sobraram apenas a Jovem Pan, Bandeirantes, Globo, CBN e outras poucas. O FM, lamentavelmente, se percebe, não vai para caminho diferente. (continue lendo)

 

Observações religiosas à parte, é triste ver o que está acontecendo. Não se trata de uma simples emissora de rádio, mas sim de uma das mais conhecidas e tradicionais neste ramo, uma das referências do AM, fosse para um fã ou um ouvinte ocasional. Triste de verdade para qualquer um, especialmente para os ouvintes, que de uma programação diversificada passem a ser tratados com o que soa como desprezo, em função do que julgam ser expectativas de mercado.

 

Triste sim, mas talvez não seja o desfecho. Será que vale a pena torcer?

 

Em tempo: Na última segunda feira (8/08) Flávio Ricco publicou em sua coluna que há rumores de que a FM Record seja transformada em uma emissora de notícias aos moldes da CBN, portanto, de acordo com os comentários, os atuais contratados da Record News, inclusive Heródoto Barbeiro, podem ser aproveitados neste projeto.

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domingo, 7 de agosto de 2011

O que será da Rádio Record agora?

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Radio_Record

Para quem gosta de rádio ou para quem se preocupa com o mercado de trabalho da área de jornalismo, as notícias não são das melhores. É que a Rádio Record demitiu todos os seus profissionais.

De acordo com informações publicadas na coluna de Flávio Ricco no UOL, este é o fim da Rádio Record do modo como a conhecemos:

A informação de hoje (5) é que a Rádio Record "acabou", como a conhecemos. Todos os profissionais de microfone demitidos. Serão 24 horas de religião a partir da meia-noite de sábado. Fim do projeto Record/Transamérica, portanto.

O outro lado: em comunicado distribuído agora há pouco, a Record informa que a partir deste sábado (6), terá nova  programação. “por razões estratégicas, a emissora passa a transmitir música e informações jornalísticas. A mudança de trajetória visa atender as expectativas do mercado do Rádio AM brasileiro”.

Informações a respeito de demissões foram publicadas somente em sua coluna. A Folha Online publicou somente a respeito do comunicado de uma nova programação, prevista para entrar no ar no sábado, dia 6 de agosto, o que não gerou lá grande impacto.

Se tais mudanças visam atender expectativas de mercado como mencionado, é meio triste constatar o panorama das rádios AM. Elas ainda tem um público fiel, mas será que tamanha fidelidade não pode ser abalada perante este esvaziamento? O rádio ainda é o refúgio de muita gente, porém será que este público não gosta de variedade? Merece apenas uma programação com aquela velha sensação de “mais do mesmo”?

Tristes expectativas…

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