domingo, 5 de maio de 2013

Jornada da leitora: A seguir, cenas dos próximos capítulos

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Ok, e voltemos para as saudosas saudosas pra mim, pelo menos resenhas literárias deste espaço. Ok, um tanto defasada mas é um começo pelo menos. Então, para a primeira resenha depois de uma longa ausência, vamos ao que interessa e unir as duas coisinhas que durante muito tempo fizeram esse blog andar: livros e novelas. Espero que você, leitor, ainda lembre do fraco que esta blogueira tem por telenovelas e da qual não se esquiva em nome de reputação.

Para quem não se lembra vamos então ao flashback: sim, eu gosto de telenovelas, faço o que posso para assistir e ler mais sobre o assunto, acredito nos poderes de mobilização vindos da telenovela e não o acho “alienante”, como se limita a crença dos nossos amados críticos-de-mídia-feat-politizados de Facebook. Acredito no gênero o bastante para ter feito dele matéria-prima do meu TCC da faculdade. Ponto: sou noveleira sim, embora me falte tempo para acompanhar.

Então, uma bela tarde de 2010, dia em que eu vi este livro na livraria fiquei doida para comprar, mas ele tinha um preço salgado demais para uma recém-formada sem eira e nem beira. Porém, anos e anos depois – mais precisamente em 2013 – finalmente tive a grande chance de comprá-lo pelo Submarino, em um daqueles dias de desconto progressivo na compra de livros. Finalmente consegui o meu!

Happy end garantido e com história triste explicada, vamos direto ao assunto:

A Seguir, Cenas Do Próximo CapítuloA Seguir, Cenas Do Próximo Capítulo

Cintia Lopes, André Bernardo - 282 páginas
Editora: Panda Books
Neste livro, Cintia Lopes e André Bernardo entrevistaram 10 autores para saber como é o processo de criação dos enredos, a escolha dos temas, a construção dos heróis e dos vilões, a reescrita da trama para atender o público, relação com diretores e atores e outros segredos da profissão autor de novela.

O livro, editado pela Panda Books, teve como foco as experiências dos principais autores de telenovela do Brasil. Veja bem que isso não significa necessariamente os mais festejados, visto que a obra foi publicada em 2009 e com isso não teve menção a autores que estão badaladíssimos atualmente. Portanto, ele foca naqueles que deixaram marcas históricas e foram fundamentais para o desenvolvimento do cenário da telenovela brasileira.

Dez autores estão presentes de forma direta na obra: Aguinaldo Silva, Benedito Ruy Barbosa, Carlos Lombardi, Gilberto Braga, Glória Perez, Lauro César Muniz, Manoel Carlos, Silvio de Abreu, Walcyr Carrasco e Walther Negrão. Estes são os escolhidos para o livro, que traz entrevistas com os escritores citados, um perfil composto por dados básicos e também pelos marcos criados por cada um destes autores, como “pares românticos, cidades imaginárias, bordões famosos, vilões memoráveis personagens fantásticos e cenas antológicas”.

O livro também conta com curiosidades e para leitores mais-que-interessados-e-mais-que-curiosos também há a chance de conhecer algumas páginas de roteiros originais da obra mais marcante de cada um deles.

Se tem algo que devo dizer com relação a este livro é que as entrevistas foram realmente muito bem conduzidas e que seu teor por incrível que pareça, não se limita somente a falar bem da Globo. O que realmente é um milagre tremendo.

A obra também contém curiosidades sobre diversas tramas, fala sobre o processo de criação e escrita das novelas assim como também discorre a respeito de assuntos sérios desse universo, como o relacionamento entre autores x público e também o rótulo de alienante que o gênero carrega desde seu surgimento.

“A seguir, cenas do próximo capítulo” serve muito bem para quem trabalha com comunicação, para quem deseja aprender algo sobre o assunto ou simplesmente para quem gosta do gênero telenovela. A escrita é bastante acessível então é um livro super indicado para todos que tenham real interesse no tema. Portanto, se você caro leitor tem interesse, mente aberta e muita força de vontade para aturar os comentários de nossos queridos e amados politizados-de-esquina ou críticos-de-rede-social, a obra é uma excelente aquisição em todos os sentidos.

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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Rachel Sheherazade contra as popozudas: rumo ao ranço elitista e o feminismo misógino

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Sabe, o assunto pode parecer cansativo, mas ainda merece discussão. O pivô da discussão é o mesmo, mas o que pode ser feito se a polêmica é o ganha-pão? Estou me referindo novamente a Rachel Sheherazade, nossa querida e amada coleguinha mais conhecida por ser a a voz de opinião mais ativa dentro do cenário jornalístico brasileiro. Veja bem: ser a mais ativa não significa ser a melhor ou mais adequada. Mesmo porque, opinião não se mede dessa forma, ainda mais quando certos venenos são destilados para o grande público.

Imagem: Divulgação

A polêmica da vez foi por causa de um projeto de mestrado sobre Valesca Popozuda.

Aluna passa em 2º lugar em mestrado com projeto sobre Valesca Popozuda

Mariana Gomes, de 24 anos, passou em segundo lugar na Pós-graduação em Cultura e Territorialidades da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, com o projeto “My pussy é poder – A representação feminina através do funk no Rio de Janeiro: Identidade, feminismo e indústria cultural. Entre os objetivos do projeto está a desconstrução da ideia de que o funk seria o último grito do feminismo através das músicas de Valesca Popozuda, Tati Quebra Barraco, entre outras (continue lendo)

O assunto em si já chama a atenção, afinal o funk está bem longe de ser aceito como cultura popular, quanto mais envolvido em assuntos de esfera acadêmica. E talvez na falta de Felicianos ou de assuntos melhores do que a batatinha-quando-nasce, esse foi o tema escolhido para o comentário da jornalista, talvez incomodada pelo fato das músicas citadas “ferirem seus ouvidos de morte”, ou quem sabe incomodada por algo que não é da sua preferência ser alvo de uma atenção tão grande.

Seja como for, foi isso aqui que saiu:

 

O que é preciso dizer a respeito disso? Ou melhor: o que é possível dizer de tudo isso?

Inicialmente em seu discurso cheio de rancor, Rachel se pronuncia ironicamente a respeito da popularização da universidade e de seus temas é ruim. E daí para frente lá vem o chorume elistista sobre cultura, mas tudo bem. Aparentemente ela andou faltando às aulas de antropologia e os anos restantes da faculdade pouco fizeram para que o ranço preconceituoso fosse embora. Mas ok, continuando…

A jornalista se demonstra surpresa pelo assunto e pela tomada do funk como cultura. Alega diversos fatores com tom variante entre surpresa e indignação: Letras sexualmente explícitas e impronunciáveis para o horário? Óbvio que sim. Fere os ouvidos dela de morte? Claro. O dela e o de muita gente e até o meu, afinal gosto é gosto e sempre reclamaremos daquilo que não é a nossa preferência. Eu até gosto de funk, mas os meus preferidos ficaram perdidos no túnel do tempo, lá pela década de 1990. Porém o que isso tem a ver com o mérito da discussão acerca do tema proposto?

O funk pode ser o último grito do feminismo? Claro. São elas que cantam por seu corpo e o seu gosto por sexo. Elas não são os objetos em suas músicas, pelo contrário. São as funkeiras que cantam o controle da sua vida e de seu corpo. Pelo que me consta a revolução feminista veio justamente para que cada uma de nós tivesse o direito de escolher o que bem queria para a própria vida e seu sustento.

Nada mais antifeminista do que a mulher machista. E quer saber a verdade? O raso conteúdo do tema como clamado por Raquel Sheherazade fica por conta da mentalidade elitista de quem julga como cultura somente aquilo que gosta. 

Em tempo: Mariana Gomes, a autora do projeto “My pussy é poder” escreveu uma carta-resposta ao comentário da jornalista. E faço minha as palavras dela:

Dizer que produção de cultura vai do luxo ao lixo é de uma desonestidade intelectual sem tamanho. Como eu disse ao G1 e digo diariamente, hierarquizar a cultura só prejudica. Essa hierarquia construída ao longo de séculos e baseada em um gosto de classe muito bem definido, no qual apenas o que elites definem o que é cultura e o que não é – ou, nas suas palavras, o que é ‘luxo’ e o que é ‘lixo’ – precisa ser COMBATIDA. Creio que a academia é SIM uma das trincheiras na luta pela desconstrução desse pensamento elitista, preconceituoso e, para não ser maldosa, desonesto.

Você, Rachel, diz que as funkeiras estão aquém do feminismo. Mas e você? O que sabe sobre o tema? Tendo a acreditar que Valesca sabe muito mais sobre isso do que você, mas estou disposta a ouvir seus argumentos sobre o assunto. Feminismo, assim como o meu projeto, não é piada, é coisa séria, muito séria. (continue lendo)

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domingo, 14 de abril de 2013

Gerald Thomas e Nicole Bahls: a misognia e a cultura do estupro diretamente na sua casa

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Em tempos de Felicianos e discípulos fiéis de sua doutrina duvidosa, nunca os assuntos relacionados ao preconceito estiveram tão em voga. O palco para discussões foi aberto e o debate começou, tendo espaço para falar sobre homofobia, o racismo e misognia. Este último assunto então voltou a ganhar fôlego graças aos acontecimentos da última semana, quando TV e internet tornaram-se palco de um episódio de misognia protagonizado não por mais alguma pérola proferida pelo pastor e deputado Marco Feliciano, mas sim pelo escritor Gerald Thomas e pela jornalista e modelo Nicole Bahls.

Gerald Thomas assedia Nichole Bahls durante lançamento de seu último livro (Foto: Viva)

Visivelmente sem graça e rindo de nervosismo, a jornalista e modelo Nicole Bahls se viu numa situação constrangedora esta semana, logo após retornar à trupe de humoristas do Pânico na Band. Durante o lançamento do livro Arranhando a Superfície, do diretor teatral e cineasta Gerald Thomas, no Rio de Janeiro, o escritor enfiou a mão dentro do vestido dela, logo após o início da entrevista. Mesmo constrangida, Nicole se segurou em frente às câmeras e entrou na “brincadeira” de Gerald que, inclusive, falou grosserias à atriz Paula Burlamarqui, tascando um beijo na boca dela. (continue lendo…)

 

Episódio constrangedor, mas aparentemente a repercussão não afetou Gerald Thomas que em mais um dos seus rompantes típicos de imbecilidade proferiu as seguintes pérolas em entrevista para  O Globo:

 

— Meti a mão na menina. E tudo termina nos panos quentes, CPI que acaba em pizza, como todas as coisas no Brasil, esse paisinho de quarto mundo, Corsa que quer ser Mercedes.

O diretor teatral também falou sobre o episódio em seu blog; disse que fez o que muitos gostariam de fazer entre quatro paredes. "Eu, Gerald Thomas, faço a olho nu, na frente dos fotógrafos, das câmeras, das luzes, o que esse bando de carecas e pseudomoralistas gostaria de estar fazendo atrás de portas fechadas, com as luzes apagadas!".

(…)

E encerrou o texto com o que chamou de alerta: "A mulher não é um objeto. Mas não deveria se apresentar como tal". (Leia mais)

 

Bom, caso o citado suprassumo da imbecilidade humana e artística (se é que possa ser chamado de “artista”) não saiba: assédio sexual não é “brincadeira”. Assédio sexual é crime. Mas, assim como citou Wander Veroni, do Café com Notícias, Gerald Thomas prefere acreditar na velha ladainha de que a culpa é sempre da mulher. Discurso esse tão arcaico e sem noção quanto aquilo que ele diz ser arte. Toda essa baboseira vindo de alguém pretensamente estudado e de ampla bagagem cultural, suscitando por sua vez o acréscimo da palavra “misognia” ao vocabulário de muita gente.

 

Para quem não sabe, misognia significa “ódio ou desprezo ao sexo feminino”. É esta a palavra que se aplica a asneira proferida por Gerald Thomas, na qual reproduziu a velha e perversa desculpa misógina dadas por um homem como justificativa ao assédio e ao estupro cometida por ele: a culpa é da mulher que estava usando aquela roupa justa e curta. Foi ela quem pediu.

 

Vejamos as palavras as quais o escritor se apropriou em justificativa: "A mulher não é um objeto. Mas não deveria se apresentar como tal". Sim: infelizmente ele pronuncia esse tipo de pérola como se fosse sabedoria, perpetuando como arte o que na verdade é pura “cultura do estupro”.

 

Um dos problemas é que boa parte dos homens não faz ideia do que seja estupro. Estupro, pra eles, é só o que acontece num beco escuro à noite entre um psicopata e uma mulher que, pelas roupas, “estava pedindo”. E tem que haver muita violência física para que esses mesmos homens encarem aquilo como estupro. Para esses cidadãos, não passa a ideia de que estupro é pura e simplesmente sexo sem consentimento. (Leia mais)

 

O que é preciso aprender é algo bastante simples: não interessa se Nicole Bahls é conhecida por fazer ensaios sensuais e é tida como um símbolo sexual. Não interessa o vestido que ela estava usando. A roupa e a maquiagem usadas por uma mulher não significa permissão para sexo. O comprimento da saia, o tamanho da blusa ou o seu decote não significam passe-livre. O fato de uma mulher beber ou “estar na rua ou em tal lugar a tal hora” não significa que ela estava querendo. Isso é falso-moralismo e hipocrisia do pior nível.

 

“Não” significa “não”. A culpa não é da vítima e sim do agressor. A culpa por um estupro é do estuprador e não da vítima. Isso é tão simples quanto 2 + 2.

 

Apesar do que a mídia volta e meia perpetua, assédio sexual e estupro não são piadas. A mulher não é objeto e nem brinquedo que sirva apenas para satisfazer. Mulheres não são inferiores e assim como todos também merece respeito.

 

É uma pena que logo alguém como Gerald Thomas, tido como tão culto e estudado, não tenha a capacidade de entender o óbvio.

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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Kindle ou Kobo: qual escolher?

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Para quem está disposto a colocar um pouco de tecnologia na sua vida de leitor, há uma pergunta que não quer calar: escolher o Kindle ou Kobo?

As poucas opções envolvidas se justificam: em primeiro lugar, não estou considerando os tablets nesse post pois prefiro me ater a aparelhos que servem especificamente para a leitura. E-readers não acessam email, facebook, instagram ou qualquer coisa do gênero. É para quem gosta de ler e ponto. E no momento, Kindle e Kobo são os principais e-readers do mercado brasileiro.

Outro ponto importante é que não pretendo que este seja um post destinado a dizer qual o melhor aparelho. Minha intenção é apenas ajudar quem superou aquela famosa fase dos “ahhh eu não vou ler e-books nunca, eu amoooooo de cheiro do livro” e cairam de gaiato nesse universo de leitor high tech e agora estão tentando decidir em qual deles irá investir. No momento eu tenho um Kindle Paperwhite, um Kobo Glo que está com minha mãe, oi-mãe!, e um Kindle básico que foi o primeiro lançado no Brasil e agora está em descanso e aguardando por novos dias de trabalho. Por mais que eu tenha ambos os aparelhos até posso comparar as funcionalidades técnicas de cada dispositivo, mas prefiro me ater aos ecossistemas e os pontos principais de cada um deles.

É importante salientar que ambos são muito semelhantes: peso, dimensões, tela e-ink pra evitar o cansaço da visão, tempo de duração de bateria, recursos de grifos e marcações em livros, dicionários integrados e ferramentas de personalização da leitura. Então a decisão entre Kindle e Kobo fica por conta de outros detalhes. Veja alguns:

Leitura de arquivos PDF

Quer ler PDF? Então melhor esquecer os e-readers.

Se você vai comprar um e-reader pensando em ler PDFs é bom parar por aqui mesmo e cogitar um tablet. Arquivos em pdf não tem suporte de ajuste na tela ou personalização de leitura, como aumento do tamanho da fonte, grifos e dicionários. Não sendo ajustável, é preciso apelar pro zoom e mexer nas páginas a todo instante para conseguir ler. Dá pra ler sim, mas é bem chato.

Existem programas que convertem arquivos pdf para extensões aceitas tanto pelo Kindle quanto pelo Kobo, mas é bem provável que sua apostila ou ebook perca a formatação e a leitura seja incômoda e exija mais atenção em função disso. Especialmente se o arquivo contiver imagens ou estiver formatado segundo normas de ABNT. Existem truques com o Calibre que minimizam a questão da formatação, mas de qualquer modo os e-readers não são os melhores nesse ponto.

Já com o tablet, o tamanho da tela é mais apropriado pra esse tipo de leitura. Então se sua prioridade são os pdfs (principalmente aqueles livros scaneados), esqueça os e-readers. Não existe ainda nenhum e-reader que se dê bem com esse formato.

Formatos de arquivos

mobi ou epub: eis a questão…

Kindle: As extensões nativas dos ebooks vendidos para Kindle são proprietárias. Isso quer dizer que só é possível adquirir novos ebooks pela loja da Amazon. O problema é contornável com o uso de softwares como o Calibre, que são capazes de fazer conversões para outros formatos aceitos pelo Kindle. O problema é que, se você compra seus ebooks pela Amazon, também fica preso a ele para fazer a leitura. Seu ebook não vai rodar em outro e-reader que não seja vendido por ele. Por isso costuma-se dizer que, embora você pague pelo ebook ele na verdade não é seu.

Kobo: O aparelho vendido pela Livraria Cultura é considerado aberto, porque tem o formato epub como sendo de funcionamento nativo. Para quem não sabe, epubs são como se fossem o mp3 dos livros. Isso significa que você pode comprá-los em praticamente qualquer loja que disponibilize ebooks. Você também pode colocá-lo em qualquer e-reader que aceite essa extensão. E para quem lê quadrinhos o Kobo é a melhor opção por ler arquivos CBR e CBZ e isso não é feito pelo Kindle.

E daí? A princípio você pode sim ter um Kindle e comprar de outras lojas, desde que tenha disposição para converter os arquivos nos formatos aceitos por ele embora não seja o padrão normal. O inverso também funciona, só que de forma mais complicada. Tanto em um caso como o outro,  a formatação pode ser perdida pelo menos em parte, mas a conversão em geral é satisfatória.  Já a liberdade de comprar onde quiser pelo Kobo pode ser meio estressante para transferir os arquivos comprados em outras lojas. Se você tem um Kobo é mais prático adotar como preferencial as compras na Livraria Cultura e o KoboBooks. E como expliquei logo acima: os dois não são bons em PDF.

 

Software

Kindle: O software do Kindle é veloz e estável. Sem grandes problemas e sem grandes sustos. Marcar trechos ou digitar notas é fácil e intuitivo. Os comandos da tela respondem de forma eficiente. Travamentos são raros. Comigo pelo menos aconteceu somente uma vez.

Kobo: É preciso um pouquiiiiiiiiiiinho de paciência com o Kobo. Ele é um rapaz sensível. O software do nosso amigo não é tão estável assim e apresenta travamentos, mas está em constantes modificações, bastando sincronizar o aparelho com o wi-fi para fazer a atualização. Ele melhorou bastante no quesito dos travamentos, mas ainda não é tão rápido nos comandos (não muito lento também, mas não tem a mesma simplicidade do Kindle). Grifar textos e marcar notas pode ser algo chato, mas nada que paciência (e um cotonete) não possa resolver.

E daí? Por questão de software, o Kindle ganha, mas vale lembrar que a Kobo vem melhorando e aperfeiçoando o software portanto esses problemas podem ser somente uma questão de tempo.

 

Particularidades

Imagem: The Guardian

Kindle: Oferece sistema de compartilhamento de arquivos em nuvem e também conversão por email. Isso significa que você pode enviar um ebook ou outros tipos de arquivos aceitos pelo aparelho através de email e recebê-lo no seu Kindle sem ter de usar cabo USB e aplicativos desktop. É só fazer sincronização usando conexão wi-fi. Não tem memória expansível.

Kobo: Oferece também um sistema de arquivos em nuvem, mas servem somente para ebooks comprados através de suas lojas. Em compensação, ele tem recurso de memória expansiva, aceitando cartão de memoria de 32GB. Não que você precise atochar o seu Kobo de arquivos, mas é boa opção para não sobrecarregar a memória do aparelho, especialmente se você quer ler quadrinhos. O aparelho vendido pela Livraria Cultura também tem o Reading Life, que mostra estatisticas interessantes de sua leitura e oferece prêmios ao leitor como medalhas por começar um novo livro, por ler de madrugada e etc. É divertido, mas não necessariamente tem utilidade.

E daí? Para os práticos e preguiçosos, o Kindle dá de dez a zero nesse quesito pois os arquivos em nuvem compensam a falta da memória expansiva em seus aparelhos. Para quem gosta de frescurinhas e também da ideia de carregar mangás e outros quadrinhos, a memória expansiva é uma boa solução para o Kobo já que arquivos CBR podem ser pesados e ocupar muita memória no aparelho a longo prazo.

Acervo de e-books:

Kindle: Como a Amazon é recém-chegada ao Brasil, seu acervo ainda conta com mais títulos em língua estrangeira que em português. Porém, é interessante para quem deseja ler em inglês e oferece grande variedade de clássicos.

Kobo: A Kobo vinculou o seu acervo ao da Livraria Cultura, oferecendo maior variedade de e-books em língua portuguesa, mas também apresenta bom número de livros em outros idiomas.

E daí? Não significa tanto assim em termos de compra, pelo menos para quem está mais interessado em um acervo em português, afinal a tendência é de que ambas cresçam nesse segmento.

Preços de e-books:

Kindle: Como o consumidor a princípio fica preso na loja da Amazon, ele é compensado por preços menores. O problema é que as vezes a diferença é irrisória caso você faça a cotação dos bestsellers que temos por aí. Mas claro, se você tem tempo e o software do Calibre em seu computador, essa falta de liberdade pode ser burlada.

Kobo: Quem tem acesso ao Kobo pode pesquisar por outras lojas que vendam epubs, portanto a princípio o aparelho respeita a liberdade do consumidor.

E daí? Ambas as marcas contam com promoções de suas principais lojas virtuais onde é possível encontrar ebooks a R$ 9,90 e são trocados toda semana, portanto nada de mimimi dizendo que ebooks custam caro no Brasil. Com um pouco de esforço você pode abastecer sua biblioteca sem se utilizar somente de downloads não necessariamente dentro da lei.

E agora? Como escolho?

Em um resumo rápido, você tem de levar em considerações os itens que você mais usa e não apenas o fator preço. Mesmo porque a diferença de valores não é necessariamente tão grande assim, especialmente depois que a Amazon finalmente trouxe o Kindle Paperwhite ao Brasil e deu início a guerra de preços.

No meu caso eu comprei o Kobo Glo por dois motivos: o primeiro foi que na época ele era o único e-reader com iluminação interna no mercado brasileiro. O outro motivo é porque tenho alguns mangás então foi a melhor opção para mim. Isso não quer dizer que um seja melhor que o outro e comece uma briga de fanboys. O Kobo apenas foi o aparelho que atendeu melhor as minhas necessidades na época em que eu o comprei. Hoje uso um Kindle Paperwhite, que é lindo, maravilhoso e tudo de bom, mas ainda sinto falta do Kobo por causa dos quadrinhos e também pelo fato do aparelho mostrar a capa do livro que estou lendo atualmente. Uma frescura, eu sei, mas que eu gosto muito.

Algumas funcionalidades como estabilidade do software e facilidades para grifar texto e consultar dicionário também são importantes, portanto procure se possível ter os dois aparelhos em mão, ou caso não tenha essa facilidade, pelo menos assista vídeos no Youtube com pessoas demonstrando o uso dos e-readers dos quais você pretende decidir. Existem vídeos de comparação e outros de funcoinalidades. Vale a pena assistir e conferir todas as informações possíveis.

Portanto antes de apertar o botão para finalizar a compra pese muito bem quais são suas expectativas e necessidades com relação ao seu e-reader. Esses aparelhinhos milagrosos ainda tem um precinho salgado no Brasil e-lá-vem-todo-o-mimimi-de-impostos, e gastar com eles é um investimento que merece ser pensado com carinho.

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terça-feira, 2 de abril de 2013

Ebooks e E-readers: Como a tecnologia mudou na minha vida de leitora

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Para quem acompanha este blog não é novidade nenhuma o fato de eu ser uma leitora inveterada. Quem me conhece sabe que compro livros com a mesma paixão que uma mulher normalmente compraria roupas e sapatos. E neste tempo que passei fora muita coisa andou mudando, e uma delas foi justamente no meu jeito de ler. Nada muito radical: apenas senti curiosidade e necessidade de incluir a tecnologia nesta parte da minha rotina. Estou falando do uso de  e-readers e consequentemente de-books.

 

Como parte do meu trabalho exige que minha rotina seja atípica, as viagens sem hora para voltar são parte do meu cotidiano. Isso, citando viagens longas que exigem alguma forma de passar o tempo. Livros sempre foram uma boa alternativa para mim, visto que não tenho problemas com enjoos e tudo mais. Até aqui não seria nada demais, pelo menos enquanto uma de suas fixações mais recentes não são livros como os da saga “Crônicas de Gelo e Fogo”.  Não deve ser muito simples carregar o “Fúria dos Reis” ou ‘Tormenta de Espadas” por aí… e foi justamente nesse momento que começaram a chegar ao Brasil algumas boas opções de e-readers: Kindle e Kobo.

 

Depois de muita pesquisa, comprei um Kindle 6 (vendido pelo ponto frio e na ocasião o único da marca vendido por aqui). Fiquei com ele por praticamente um mês e nele tive tempo suficiente para ler 11 livros. Pouco tempo, não? Mas se eu pudesse escolher alguma forma de definir o que passei junto dele, diria que foi aquela reação típica de amantes desesperados, desfrutando de tudo que pudesse e indo com sede ao pote. Porém, após esse tempo decidi pensar em degraus mais altos em minha obsessão por leitura quando o Kobo Glo chegou ao país.

 

Para quem não sabe, o Kobo Glo é um e-reader com iluminação interna, permitindo a leitura durante a noite e sem problemas com a fadiga visual. Na época estive cogitando o Kindle Paperwhite (versão da Amazon também com iluminação), mas teria de importar o produto da Amazon americana, pagando um precinho absurdo de impostos e ainda esperar eras para que chegasse ao Brasil. Nesse caso o preço e a comodidade de um produto vendido no Brasil falou mais alto e desde a compra já li mais 18 livros.

 

Atualmente, quase 30 livros depois acho justo poder dividir com alguém o que mudou na minha vida de leitora desde então. Não pretendo entrar em detalhes sobre marcas, detalhes e funcionalidades de cada um dos aparelhos citados. Apenas dividir minhas considerações sobre e-books, e-readers e tudo o que a tecnologia me ofereceu para quem tenha dúvidas, receios ou apenas curiosidade sobre o assunto.

  

Praticidade: Livros impressos são lindos, maravilhosos e tudo de bom, mas podem não ser a melhor escolha caso você passe muito tempo na rua. Um e-reader tem espaço para um número sem-igual de ebooks e com a vantagem de ser incrivelmente leve. E tudo isso sem amassar sua edição impressa.

 

Conforto: Se você dispõe de um e-reader dedicado tem acesso a tecnologia e-ink, que imita o efeito de tinta no papel e também não apresenta reflexo. O resultado é que a experiência te faz ler como se fosse um livro de verdade portanto não haverá desconfortos. Há quem ache o gasto com e-readers um desperdício visto que “só serve para ler”, visto que eles não contam com funções multiuso, porém não são a melhor opção para quem realmente gosta de ler.

 

Economia no dindim: Ok, tudo bem. Os preços de ebooks e ereaders praticados no mercado brasileiros não são nada amigáveis, mas na prática eles continuam sendo mais baratos que os impressos. Quem tem disposição de fuçar pode até encontrar ebooks grátis, mas as livrarias online também trabalham com boas promoções. Se você for adepto do “compartilhamento de material na rede” (se é que vocês me entendem) pode comprar somente aquilo que realmente quiser ter em sua estante ou em seu aparelho.

 

Estímulo na leitura: Pelas estatísticas demonstradas parágrafos acima já deu pra perceber que passei a ler muito mais. Convenhamos que quase 30 livros é um número de respeito, especialmente para quem tem um tempo escasso.

 

 

Sentimento de culpa em não ler: É, isso mesmo. Tendo por perto um Kobo ou um kindle eu me sinto culpada ter aquele tempo básico de descanso entre um livro e outro. As vezes acabo emendando leituras até ficar na mais pura ressaca literária, mas isso não acontece por exemplo com livros impressos, talvez por estes me darem uma maior dimensão do número de páginas que enfrentei.

 

Facilidade em largar livros chatos: Tem gente que se sente culpada em abandonar um livro e vai até o fim como se fosse somente uma questão de honra. Com os ebooks posso me considerar muito propensa a abandoná-los sem dó nem piedade caso a história não agrade.

 

E agora aquela pergunta que todo mundo faz quando falamos em ebooks e ereaders e cuja hipótese de resposta apavora leitores old schooller ebooks vai me fazer deixar de comprar os impressos?

 

Nananinanão. A resposta definitiva é “não”. Não vou deixar de ler ou comprar impresssos. Apenas me fará diminuir a quantidade de livros que normalmente compraria em um impulso consumista e do qual teria nojo da história durante as dez primeiras páginas. A tecnologia serve para incrementar a leitura e oferecer mais possibilidades em prol do hobby que amamos. Apenas unir o útil ao agradável. Fácil assim. Se você é um leitor voraz, vale a pena investir com certeza.

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quinta-feira, 28 de março de 2013

Da série: “Marco Feliciano me representa” a.k.a desconstruindo argumentos furados

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Se você tem um perfil no Facebook certamente já se viu no meio da batalha “Marco Feliciano contra o Mundo” (ou algo parecido). Quem segue este blog ou quem tenho contato nas redes sociais sabe muito bem qual a posição desta blogueira a respeito da permanência deste ser ignóbil como Presidente da Comissão de Direitos Humanos.  A você talvez pouco interesse se tiver alguma opinião já formada, afinal a briga está acirrada o bastante para parecer uma briga de torcida organizada… maaaaas, me arriscando a colocar alguma lenha na fogueira, vi no meu feed de notícias do Facebook por diversas e inúmeras vezes a seguinte montagem:

Por favor, analise os argumentos usados para tal montagem tão… bem feita. #not

Feliciano não me representa porra nenhuma

Foto: Facebook – Página MarcoFelicianoMeRepresenta

Olhou bem? Leu os argumentos? Ok, vamos então nos dedicar a desconstrução deles.

    1. “A favor da família”: Desde que a mulher só seja mãe, visto que, para o deputado, "reivindicações feministas estimulam o homossexualismo.
    2. “A favor da democracia”: Eleito para a presidência da comissão a portas fechadas e sem conhecimento do público.
    3. “Contra a pedofilia a o aborto”: Pedofilia é CRIME em boa parte do mundo, já o aborto faz parte da agenda cristã em quaisquer eras de nossa existência
    4. “Sua mãe tentou abortá-lo”: E eu com isso? (Sem maiores comentários).
    5. “Defende o cristianismo católico e evangélico”: E as outras vertentes do cristianismo? Não são cristãs?
    6. “Filho de negro”: O pastor Marco Feliciano é conhecido justamente por declarações de cunho racista, afirmando que “africanos e descendentes são amaldiçoados”. E querer diferenciá-lo pela cor da pele de seu pai em um país onde por definição quase todos são mestiços, é um absurdo.
    7. “Não é CristoFÓBICO”: Um pastor Cristofóbico? Isso sim seria muita pós-modernidade pro meu gosto…
    8. “Respeita a bíblia”: Ué? Ele não é pastor? Não faz mais que a própria obrigação…
    9. “Exemplo de pai e esposo”: Não faz mais que sua obrigação.
    10. “Já foi engraxate”: Bom, o Lula já foi operário, o John Bon Jovi foi faxineiro, o Brad Pitt se vestia de frango para divulgar uma loja de fast-food…
    11. “Respeitas as religiões e ateus”: Já deu uma olhadinha nas redes sociais ou em vídeos de cultos para conferir esse tamanho respeito?

Precisa de alguma coisa a mais? Arruma pelo menos um argumento melhor só pra que a discussão não seja vazia ou motivo de piada. Porque isso aí em cima… é pra ser piada mesmo.

Foto: Facebook – Página #compartilhaquemacredita

Ah sim. Só pra constar: Marco Feliciano não me representa e nem me representará, seja lá quem eu for ou um dia ainda possa ser.

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